Economia

Inadimplência bancária atinge maior nível desde 2011 com alta no crédito para pessoas físicas

29 de Setembro de 2026 às 09:43 2 min de leitura

A taxa de inadimplência bancária atingiu o recorde de 5% em agosto, impulsionada pelo salto para 6% no segmento de pessoas físicas. O Banco Central registrou estabilidade de 3,3% entre empresas, enquanto o governo implementa o Desenrola 2.0 para renegociar R$ 150 bilhões em débitos

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A taxa de inadimplência média total nas operações de crédito bancárias subiu para 5% em agosto, superando o índice de 4,9% registrado em julho. Segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (29), o indicador atingiu o nível mais alto desde que a série histórica revisada foi iniciada, em março de 2011. O cálculo da autoridade monetária contabiliza atrasos superiores a 90 dias em contratos de pessoas físicas e jurídicas.

Desempenho por perfil de tomador

O aumento foi impulsionado principalmente pelo segmento de pessoas físicas, onde a inadimplência saltou de 5,8% em julho para 6% em agosto, estabelecendo um novo recorde na série histórica. Entre as empresas, o índice permaneceu estável em 3,3% no último mês, patamar próximo ao pico de 3,4% observado em outubro de 2017.

Medidas governamentais e renegociação

A alta nos índices ocorre paralelamente ao período eleitoral e à implementação do Desenrola 2.0 (ou Novo Desenrola Brasil), programa de renegociação de dívidas lançado em maio. Recentemente, o governo anunciou uma nova etapa da iniciativa com a meta de renegociar R$ 150 bilhões em débitos com atrasos entre 2 e 4,5 anos.

A operação prevê que a União adquira carteiras de crédito de instituições financeiras com um deságio de 90%, estimando-se um desembolso de R$ 15 bilhões para a quitação do montante total. De acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a medida foca em dívidas de até R$ 10 mil, abrangendo as modalidades de crédito pessoal (sem consignação) e cartão de crédito (rotativo e parcelado).

Impacto do crédito rotativo e juros

Apesar das tentativas de reduzir o endividamento, que incluem a proibição de bets (apostas online), a população mantém a utilização de linhas de crédito com custos elevados. O cartão de crédito rotativo registrou uma taxa de juros de 445% ao ano em agosto, contrastando com o crédito consignado, cujas taxas oscilam entre 24% e 56% anuais.

Entre janeiro e agosto deste ano, as instituições financeiras liberaram R$ 311 bilhões via crédito rotativo, aproximando-se do volume de R$ 400 bilhões registrado em 2025.

Para conter a escalada dos débitos, o governo e o Congresso estabeleceram, em janeiro de 2024, um limite para o endividamento nessa modalidade: o valor total da dívida, incluindo juros e encargos, não pode ultrapassar o dobro do valor original do débito.

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