Índice de atividade econômica do Banco Central cresce 0,3% em agosto e interrompe queda mensal
O IBC-Br subiu 0,3% em agosto, segundo o Banco Central, com alta na indústria (0,9%) e serviços (0,2%) e queda na agropecuária (1,8%). O indicador cresceu 1,6% nos últimos 12 meses e 1,2% em relação a agosto do ano anterior
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) registrou alta de 0,3% em agosto em relação a julho, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (16). O resultado interrompe uma sequência de três meses de queda e reverte a contração de 0,3% observada no mês anterior.
No acumulado de 12 meses até agosto, o indicador apresenta crescimento de 1,6%, mesma porcentagem registrada na parcial do ano. Na comparação com agosto do ano passado, a expansão foi de 1,2%. Para esses cálculos, o Banco Central não aplicou o ajuste sazonal.
Desempenho setorial
A atividade econômica de agosto foi impulsionada principalmente pelo setor industrial, enquanto a agropecuária apresentou retração. O desempenho por segmento foi:
- Indústria: alta de 0,9%;
- Serviços: crescimento de 0,2%;
- Agropecuária: recuo de 1,8%.
Estímulos governamentais e inflação
O cenário de crescimento coincide com medidas do governo para fomentar a demanda e reduzir o endividamento da população em ano eleitoral. Entre as ações implementadas estão a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil, a liberação do FGTS, a oferta de crédito com juros reduzidos e o perdão de dívidas para microempreendedores individuais. No âmbito social, o valor do Bolsa Família foi elevado de R$ 600 para R$ 691.
Essas estratégias, contudo, geram pressões sobre o controle da inflação. O Banco Central defende que um ritmo menor de crescimento econômico é necessário para conter a alta de preços. Em ata de reunião do Copom publicada em setembro, a autarquia apontou que o hiato do produto permanece positivo, indicando que a economia opera acima de sua capacidade de crescimento sem gerar inflação.
Impacto na taxa de juros e projeções
O IBC-Br, utilizado como prévia do PIB, é um dos instrumentos para a definição da taxa básica de juros. Teoricamente, a aceleração da atividade econômica aumenta a pressão inflacionária, o que pode dificultar a redução dos juros.
Diferente da metodologia do IBGE para o PIB, o cálculo do Banco Central foca em estimativas de indústria, serviços, agropecuária e impostos, sem considerar a demanda. Para o fechamento de 2026, a expectativa é de desaceleração, com projeção de expansão de 1,85%, patamar inferior aos 2,3% registrados no ano passado.