Economia

Indústria de bebidas no Brasil lança cervejas e cafés enriquecidos com proteínas e fibras

12 de Agosto de 2026 às 09:01

A indústria de bebidas no Brasil expande a oferta de produtos funcionais, com o lançamento da cerveja Spaten Pro (10g de proteína), a espuma Cold Foam do Starbucks (19g de proteína) e o Guaraná Zero com Fibra (4,4g de fibra). A estratégia ocorre em um cenário de queda de 5% no consumo de cerveja tradicional em 2025

Indústria de bebidas no Brasil lança cervejas e cafés enriquecidos com proteínas e fibras
BBC

A indústria de bebidas no Brasil expande a oferta de produtos funcionais, diversificando a inclusão de nutrientes em categorias tradicionalmente ligadas ao lazer. O movimento mais recente é a inserção de proteínas em cafés e cervejas, consolidando o país como um centro de desenvolvimento global para esse segmento.

Novos lançamentos e composição nutricional

A Ambev prepara a chegada da Spaten Pro ao mercado de São Paulo e do Rio de Janeiro até o fim de agosto. A bebida, do estilo Munich Dunkel (escura e sem álcool), contém 10 gramas de proteína, sendo 75% provenientes de whey e 2,5 gramas de colágeno hidrolisado. Trata-se da primeira cerveja proteica de ampla circulação criada por uma grande cervejaria, rompendo a barreira de produtos restritos a nichos de academias, comuns nos Estados Unidos.

Paralelamente, o Starbucks introduziu o Cold Foam, uma espuma de leite que adiciona 19 gramas de proteína às bebidas da rede, utilizando whey extraído do soro do leite. No segmento de refrigerantes, o Guaraná Zero com Fibra será lançado em todo o país em setembro, oferecendo 4,4 gramas de fibra insolúvel por lata — volume que representa quase 20% da ingestão diária recomendada para adultos.

Essas novidades integram um portfólio de bebidas voltadas ao bem-estar que já conta com:

  • Skol Zero Zero: sem álcool e sem açúcar.
  • Stella Artois Pure Gold: sem glúten e com calorias reduzidas (com planos de exportação).
  • Corona Sunbrew: enriquecida com vitamina D.

Análise de custo-benefício e nutrição

A viabilidade financeira desses produtos é questionada quando comparada a fontes convencionais de nutrientes. A Spaten Pro deve custar entre R$ 10 e R$ 13, enquanto a espuma do Starbucks é vendida por R$ 9,90. Em contrapartida, um ovo, que fornece até 7 gramas de proteína, custa entre R$ 0,80 e R$ 1,30. Até cortes nobres de carne, como a picanha (com 26 a 30 gramas de proteína por 100g), apresentam uma relação custo-benefício superior.

Do ponto de vista nutricional, a recomendação geral para um adulto em dieta de 2 mil calorias é de 50 gramas de proteína por dia. Para indivíduos sedentários, a base é de 0,8g por quilo de peso, subindo para 1,4g a 2g para quem pratica atividades físicas. No caso das fibras, a Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere o consumo de ao menos 25 gramas diárias, enquanto o NHS britânico recomenda 30 gramas.

Mercado e comportamento de consumo

A aposta em produtos de wellness ocorre em um cenário de retração para a cerveja tradicional. Em 2025, o setor registrou queda de 5% no consumo, totalizando 14,75 bilhões de litros a menos. A busca por estilos de vida saudáveis e a popularização da musculação e de medicamentos emagrecedores impulsionam a demanda por alternativas.

A Ambev, que também sentiu a queda no volume de vendas em 2025, compensou o desempenho financeiro com a linha premium. No segundo semestre de 2026, os rótulos de bem-estar da companhia cresceram 60%, com destaque para a Michelob Ultra (vendas com alta de 250%) e a Stella Pure Gold (avanço de 180%).

Alertas sobre a "aura de saúde"

Há preocupações médicas quanto ao health halo effect (efeito de aura de saúde), fenômeno em que a adição de um único nutriente faz o consumidor perceber o produto como globalmente saudável. A Spaten Pro, por exemplo, possui 92 calorias por lata — menos que as 147 da versão tradicional, mas ainda um valor relevante.

Além disso, a fibra do novo Guaraná é do tipo insolúvel, que auxilia no trânsito intestinal, mas não substitui as fibras solúveis, essenciais para o controle do colesterol e da glicemia. A suplementação via bebidas funcionais é vista como válida apenas para casos específicos de alta demanda proteica ou como estratégia de redução de danos para quem não abre mão de bebidas indulgentes, não devendo substituir a alimentação convencional.

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