Economia

Inflação oficial de agosto registra a menor queda para o mês desde a implementação do Plano Real

12 de Setembro de 2026 às 09:40 3 min de leitura

A inflação oficial caiu -0,32% em agosto, o menor índice para o mês desde 1994, segundo o IBGE. O resultado foi impulsionado por recuos nos grupos habitação, transportes e alimentação e bebidas

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Inflação oficial de agosto registra a menor queda para o mês desde a implementação do Plano Real
© TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL

A inflação oficial registrou queda de -0,32% em agosto, o menor índice para este mês desde a implementação do Plano Real em 1994. O dado, divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa uma desaceleração em relação aos 0,07% apurados em julho e aos -0,11% de agosto de 2025.

O resultado ficou abaixo da projeção de -0,23% indicada pelo Boletim Focus do Banco Central na última terça-feira (8). Atualmente, a expectativa do mercado para o fechamento de 2026 é de 5%, enquanto a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Impacto da energia elétrica e habitação

O grupo habitação apresentou a deflação mais acentuada do período, com recuo de -1,87% (impacto de -0,29 p.p.), a maior queda mensal desde 1994. O movimento foi impulsionado pelo Bônus de Itaipu, crédito proveniente do saldo positivo da comercialização da hidrelétrica estatal, que reduziu a conta de luz em média 7,63%.

A conta de energia foi o item com maior peso negativo no IPCA de agosto. Contudo, como o benefício é restrito a este mês, a tendência é que o índice volte a subir em setembro, quando a devolução do crédito deixa de incidir.

Alimentos e transportes

O setor de alimentação e bebidas registrou sua terceira queda consecutiva, fechando agosto com -0,34% (impacto de -0,07 p.p.), após recuos de 0,24% em junho e 0,67% em julho. Este grupo detém a maior relevância na cesta de consumo brasileira, com 21,5% de peso. As reduções mais expressivas foram:

  • Batata-inglesa: -19,89%
  • Cenoura: -11,22%
  • Cebola: -11,07%
  • Tomate: -10,94%
  • Ovo de galinha: -4,15%
  • Café moído: -1,86%

No grupo transportes, a deflação foi de -0,86% (-0,17 p.p.). O principal fator foi a queda de 13,17% nas passagens aéreas (impacto de -0,11 p.p.), seguida pelo recuo de 4,57% no transporte por aplicativo. Os combustíveis também contribuíram para a baixa do índice, com variação de -0,86%, puxada pelo etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%), apesar da alta de 2,62% no gás veicular.

Composição e difusão dos preços

Dos nove grupos analisados, quatro fecharam no campo negativo. O comportamento dos preços foi distribuído da seguinte forma:

GrupoVariaçãoImpacto (p.p.)
Habitação-1,87%-0,29
Transportes-0,86%-0,17
Alimentação e bebidas-0,34%-0,07
Comunicação-0,09%0,00
Despesas pessoais1,30%0,13
Artigos de residência0,64%0,02
Educação0,47%0,03
Saúde e cuidados pessoais0,23%0,03
Vestuário0,12%0,00

A análise entre preços monitorados (contratos e combustíveis) e serviços mostrou que os primeiros recuaram -1,26%, enquanto os serviços, mais sensíveis à taxa Selic, subiram 0,03%. O índice de difusão, que mede a amplitude da alta de preços, subiu para 54% em agosto, contra 50% em julho.

O IPCA monitora o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, baseando-se em 377 subitens coletados em Brasília, em dez regiões metropolitanas e em cinco capitais (Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju).

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