Inflação oficial de agosto registra a menor queda para o mês desde a implementação do Plano Real
A inflação oficial caiu -0,32% em agosto, o menor índice para o mês desde 1994, segundo o IBGE. O resultado foi impulsionado por recuos nos grupos habitação, transportes e alimentação e bebidas

A inflação oficial registrou queda de -0,32% em agosto, o menor índice para este mês desde a implementação do Plano Real em 1994. O dado, divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa uma desaceleração em relação aos 0,07% apurados em julho e aos -0,11% de agosto de 2025.
O resultado ficou abaixo da projeção de -0,23% indicada pelo Boletim Focus do Banco Central na última terça-feira (8). Atualmente, a expectativa do mercado para o fechamento de 2026 é de 5%, enquanto a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Impacto da energia elétrica e habitação
O grupo habitação apresentou a deflação mais acentuada do período, com recuo de -1,87% (impacto de -0,29 p.p.), a maior queda mensal desde 1994. O movimento foi impulsionado pelo Bônus de Itaipu, crédito proveniente do saldo positivo da comercialização da hidrelétrica estatal, que reduziu a conta de luz em média 7,63%.
A conta de energia foi o item com maior peso negativo no IPCA de agosto. Contudo, como o benefício é restrito a este mês, a tendência é que o índice volte a subir em setembro, quando a devolução do crédito deixa de incidir.
Alimentos e transportes
O setor de alimentação e bebidas registrou sua terceira queda consecutiva, fechando agosto com -0,34% (impacto de -0,07 p.p.), após recuos de 0,24% em junho e 0,67% em julho. Este grupo detém a maior relevância na cesta de consumo brasileira, com 21,5% de peso. As reduções mais expressivas foram:
- Batata-inglesa: -19,89%
- Cenoura: -11,22%
- Cebola: -11,07%
- Tomate: -10,94%
- Ovo de galinha: -4,15%
- Café moído: -1,86%
No grupo transportes, a deflação foi de -0,86% (-0,17 p.p.). O principal fator foi a queda de 13,17% nas passagens aéreas (impacto de -0,11 p.p.), seguida pelo recuo de 4,57% no transporte por aplicativo. Os combustíveis também contribuíram para a baixa do índice, com variação de -0,86%, puxada pelo etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%), apesar da alta de 2,62% no gás veicular.
Composição e difusão dos preços
Dos nove grupos analisados, quatro fecharam no campo negativo. O comportamento dos preços foi distribuído da seguinte forma:
| Grupo | Variação | Impacto (p.p.) |
|---|---|---|
| Habitação | -1,87% | -0,29 |
| Transportes | -0,86% | -0,17 |
| Alimentação e bebidas | -0,34% | -0,07 |
| Comunicação | -0,09% | 0,00 |
| Despesas pessoais | 1,30% | 0,13 |
| Artigos de residência | 0,64% | 0,02 |
| Educação | 0,47% | 0,03 |
| Saúde e cuidados pessoais | 0,23% | 0,03 |
| Vestuário | 0,12% | 0,00 |
A análise entre preços monitorados (contratos e combustíveis) e serviços mostrou que os primeiros recuaram -1,26%, enquanto os serviços, mais sensíveis à taxa Selic, subiram 0,03%. O índice de difusão, que mede a amplitude da alta de preços, subiu para 54% em agosto, contra 50% em julho.
O IPCA monitora o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, baseando-se em 377 subitens coletados em Brasília, em dez regiões metropolitanas e em cinco capitais (Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju).