Inflação oficial do Brasil retorna ao intervalo da meta do governo em julho
O IPCA subiu 0,07% em julho, resultando em um acumulado de 12 meses de 4,44%, valor que retorna ao teto da meta governamental. A deflação de 0,67% em alimentação e bebidas foi o principal fator de contenção, enquanto a energia elétrica teve alta de 3,09%
A inflação oficial do Brasil registrou alta de 0,07% em julho, marca que representa a quarta queda consecutiva no ritmo de crescimento dos preços. Com esse resultado, divulgado nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumulado em 12 meses atingiu 4,44%, retornando ao intervalo da meta estabelecida pelo governo, que é de 3% com tolerância entre 1,5% e 4,5%.
O indicador de julho coincidiu com a projeção do mercado financeiro detalhada no boletim Focus do Banco Central nesta segunda-feira (10). Para o fechamento de 2026, a expectativa do mercado é que a inflação chegue a 5,02%.
Comportamento dos preços e meta inflacionária
O retorno ao teto da meta ocorre após dois meses de extrapolação, quando o índice acumulado foi de 4,72% em maio e 4,64% em junho. Vale destacar que, desde o início de 2025, a avaliação da meta considera os 12 meses imediatamente anteriores, sendo o descumprimento formalizado apenas se o limite for ultrapassado por seis meses seguidos.
Em termos históricos, o índice de julho foi o menor desde agosto de 2025 (-0,11%) e, comparando apenas os meses de julho, o resultado é o mais baixo desde 2022 (-0,68%). O índice de difusão foi de 50%, indicando que metade dos 377 produtos e serviços monitorados pelo IBGE sofreu reajuste.
Impacto dos alimentos e deflação
O grupo de alimentação e bebidas foi o principal fator de contenção da inflação, registrando deflação de 0,67% e impactando o índice geral em -0,14 p.p. Este é o segundo mês consecutivo de queda para a categoria, que havia recuado 0,24% em junho.
A alimentação no domicílio apresentou queda de 1,14%, impulsionada principalmente por tubérculos, raízes e legumes (-16,15%). Os itens com maior recuo foram:
- Tomate: -29,09%
- Batata-inglesa: -19,59%
- Cenoura: -14,41%
- Café moído: -2,45%
No caso do café, a redução acumulada em 12 meses (-17,2%) representa a maior queda desde a implementação do plano Real, em 1994. O IBGE atribui a redução dos preços dos alimentos a condições climáticas mais favoráveis, que ampliaram a oferta de produtos.
Energia elétrica e transportes
Em contrapartida, a energia elétrica teve alta de 3,09%, sendo o item com maior impacto individual de subida (0,13 p.p.), devido a reajustes em Curitiba, Porto Alegre e São Paulo. A expectativa é que a fatura de energia apresente redução em agosto com a aplicação do Bônus Itaipu, já autorizado pela Aneel.
No setor de transportes, as passagens aéreas subiram 11,67%. Por outro lado, os combustíveis registraram queda de 1,44%, com recuos no etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).
Detalhamento por grupos (IPCA Julho)
| Grupo | Variação | Impacto (p.p.) |
|---|---|---|
| Habitação | 0,99% | 0,15 |
| Saúde e cuidados pessoais | 0,40% | 0,06 |
| Despesas pessoais | 0,22% | 0,02 |
| Transportes | 0,05% | 0,01 |
| Comunicação | 0,04% | 0 |
| Artigos de residência | 0,07% | 0 |
| Educação | -0,03% | 0 |
| Vestuário | -0,66% | -0,03 |
| Alimentação e bebidas | -0,67% | -0,14 |
O IPCA monitora o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, com coletas realizadas em Brasília, dez regiões metropolitanas e nas capitais Aracaju, Campo Grande, Goiânia, Rio Branco e São Luís.