Economia

Inflação oficial do Brasil retorna ao intervalo da meta do governo em julho

12 de Agosto de 2026 às 07:54

O IPCA subiu 0,07% em julho, resultando em um acumulado de 12 meses de 4,44%, valor que retorna ao teto da meta governamental. A deflação de 0,67% em alimentação e bebidas foi o principal fator de contenção, enquanto a energia elétrica teve alta de 3,09%

A inflação oficial do Brasil registrou alta de 0,07% em julho, marca que representa a quarta queda consecutiva no ritmo de crescimento dos preços. Com esse resultado, divulgado nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumulado em 12 meses atingiu 4,44%, retornando ao intervalo da meta estabelecida pelo governo, que é de 3% com tolerância entre 1,5% e 4,5%.

O indicador de julho coincidiu com a projeção do mercado financeiro detalhada no boletim Focus do Banco Central nesta segunda-feira (10). Para o fechamento de 2026, a expectativa do mercado é que a inflação chegue a 5,02%.

Comportamento dos preços e meta inflacionária

O retorno ao teto da meta ocorre após dois meses de extrapolação, quando o índice acumulado foi de 4,72% em maio e 4,64% em junho. Vale destacar que, desde o início de 2025, a avaliação da meta considera os 12 meses imediatamente anteriores, sendo o descumprimento formalizado apenas se o limite for ultrapassado por seis meses seguidos.

Em termos históricos, o índice de julho foi o menor desde agosto de 2025 (-0,11%) e, comparando apenas os meses de julho, o resultado é o mais baixo desde 2022 (-0,68%). O índice de difusão foi de 50%, indicando que metade dos 377 produtos e serviços monitorados pelo IBGE sofreu reajuste.

Impacto dos alimentos e deflação

O grupo de alimentação e bebidas foi o principal fator de contenção da inflação, registrando deflação de 0,67% e impactando o índice geral em -0,14 p.p. Este é o segundo mês consecutivo de queda para a categoria, que havia recuado 0,24% em junho.

A alimentação no domicílio apresentou queda de 1,14%, impulsionada principalmente por tubérculos, raízes e legumes (-16,15%). Os itens com maior recuo foram:

  • Tomate: -29,09%
  • Batata-inglesa: -19,59%
  • Cenoura: -14,41%
  • Café moído: -2,45%

No caso do café, a redução acumulada em 12 meses (-17,2%) representa a maior queda desde a implementação do plano Real, em 1994. O IBGE atribui a redução dos preços dos alimentos a condições climáticas mais favoráveis, que ampliaram a oferta de produtos.

Energia elétrica e transportes

Em contrapartida, a energia elétrica teve alta de 3,09%, sendo o item com maior impacto individual de subida (0,13 p.p.), devido a reajustes em Curitiba, Porto Alegre e São Paulo. A expectativa é que a fatura de energia apresente redução em agosto com a aplicação do Bônus Itaipu, já autorizado pela Aneel.

No setor de transportes, as passagens aéreas subiram 11,67%. Por outro lado, os combustíveis registraram queda de 1,44%, com recuos no etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).

Detalhamento por grupos (IPCA Julho)

GrupoVariaçãoImpacto (p.p.)
Habitação0,99%0,15
Saúde e cuidados pessoais0,40%0,06
Despesas pessoais0,22%0,02
Transportes0,05%0,01
Comunicação0,04%0
Artigos de residência0,07%0
Educação-0,03%0
Vestuário-0,66%-0,03
Alimentação e bebidas-0,67%-0,14

O IPCA monitora o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, com coletas realizadas em Brasília, dez regiões metropolitanas e nas capitais Aracaju, Campo Grande, Goiânia, Rio Branco e São Luís.

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