Economia

Inflação sobe 0,82% em setembro e supera a projeção do Banco Central

09 de Outubro de 2026 às 15:38 3 min de leitura

O IPCA subiu 0,82% em setembro, superando a projeção de 0,60% e elevando a inflação acumulada em 12 meses acima do teto da meta do CMN. A alta foi impulsionada pelos grupos de habitação, com destaque para a energia elétrica, alimentação e bebidas e transportes

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Inflação sobe 0,82% em setembro e supera a projeção do Banco Central
© RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,82% em setembro, o maior avanço mensal desde março de 2026, quando o índice foi de 0,88%. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), superaram a projeção de 0,60% indicada pelo boletim Focus do Banco Central na última segunda-feira (5).

Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses ultrapassou o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com margem de tolerância até 4,5%. O último registro acima desse limite ocorreu em junho, com 4,64%. Atualmente, a meta é considerada descumprida caso a inflação permaneça fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos. Para o fechamento de 2026, a expectativa do mercado é de 5,01%.

Impacto da energia elétrica e habitação

O grupo de habitação foi o principal vetor de alta do índice, com variação de 2,31% (impacto de 0,35 p.p.), impulsionado pelo custo da energia elétrica, que saltou 7,98%. A conta de luz foi o item individual que mais pressionou a inflação no mês, com impacto de 0,32 p.p., revertendo a queda de 7,63% registrada em agosto.

Essa aceleração ocorreu devido ao fim do Bônus de Itaipu, crédito proveniente do saldo positivo da comercialização da hidrelétrica estatal que havia reduzido as contas no mês anterior. Além disso, reajustes contratuais em São Luís, Belém e Vitória influenciaram a média nacional. A previsão é de alívio para outubro, com a vigência da bandeira verde, que não prevê cobranças adicionais.

Alimentos e Transportes

O setor de alimentação e bebidas voltou a subir após três meses de recuo, registrando alta de 0,83% (impacto de 0,18 p.p.). A alimentação no domicílio avançou 0,96%, com fortes altas em produtos hortifrutigranjeiros devido a fatores climáticos, como frio e chuvas, que prejudicaram a produção. Os destaques foram:

  • Tomate: 37,76%
  • Batata-inglesa: 24,07%
  • Cebola: 10,14%
  • Arroz: 4,56%
  • Carnes: 0,63%

Em contrapartida, houve queda nos preços de frutas (-1,12%), frango em pedaços (-1,41%) e frango inteiro (-1,96%).

Já o grupo de transportes subiu 0,89%, pressionado pelas passagens aéreas, que dispararam 9,66%. Os combustíveis também registraram alta de 1,41%, com elevações no etanol (3,16%), óleo diesel (1,69%), gasolina (1,21%) e gás veicular (0,10%).

Composição do índice e difusão

O índice de difusão mostrou que 55% dos 377 itens pesquisados tiveram aumento de preço, superando os 54% do mês anterior. Na análise por categorias de preços:

GrupoAlta em SetembroAcumulado 12 meses
Preços Monitorados e Combustíveis1,59%4,13%
Serviços0,61%5,98%

Outras variações relevantes no mês incluíram comunicação (0,64%), vestuário (0,71%), despesas pessoais (0,26%), artigos de residência (0,27%), saúde e cuidados pessoais (0,08%) e educação (0,04%).

O IPCA monitora o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, com coleta de dados em capitais e regiões metropolitanas, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Vitória, Belém, Goiânia, Campo Grande, São Luís e Rio Branco.

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