Economia

INSS suspende consignados do C6 após indícios de irregularidades em contratos

20 de Março de 2026 às 17:15

O INSS determinou a suspensão de novos empréstimos consignados do C6 Bank após auditoria apontar centenas de milhares de contratos com possíveis cobranças indevidas, ampliando a pressão sobre o setor financeiro.

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) decidiu suspender a realização de novos empréstimos consignados vinculados ao C6 Bank, medida que atinge diretamente a operação conhecida como “C6 Consig”. A decisão ocorre após auditoria identificar indícios de irregularidades em larga escala nos contratos firmados com aposentados e pensionistas.

Levantamento realizado pela Controladoria-Geral da União (CGU) apontou cerca de 320 mil contratos com possíveis cobranças adicionais embutidas, como seguros e pacotes de serviços não claramente informados aos beneficiários. A dimensão dos indícios levou o INSS a interromper novas averbações de crédito consignado vinculadas à instituição.

O bloqueio não atinge contratos já em andamento, mas impede que novas operações sejam registradas na folha de pagamento de beneficiários da Previdência por meio do banco. Na prática, isso interrompe uma das principais linhas de crédito oferecidas a aposentados, que utilizam o consignado por conta das taxas mais baixas e desconto direto no benefício.

A medida reforça um movimento mais amplo de revisão das práticas no mercado de crédito consignado. Nos últimos anos, órgãos de controle e o Ministério Público Federal já haviam questionado operações envolvendo o C6, incluindo ações judiciais que pediam a suspensão de contratos firmados sem autorização expressa dos segurados e indenizações por danos coletivos.

Além do volume de contratos sob suspeita, o caso reacende preocupações sobre a transparência na oferta de crédito para aposentados. Técnicos envolvidos nas apurações apontam que a inclusão de produtos adicionais pode elevar o custo efetivo das operações sem percepção clara do consumidor, o que fere normas de informação e consentimento.

O INSS, responsável apenas pela operacionalização dos descontos em folha, intensificou a fiscalização sobre instituições conveniadas após o aumento de reclamações e indícios de falhas na formalização dos contratos. O modelo de consignado depende da autorização expressa do beneficiário, e qualquer inconsistência nesse processo pode levar ao bloqueio da instituição no sistema.

A suspensão também ocorre em um momento de maior rigor regulatório no setor, com avanço de investigações sobre fraudes e descontos indevidos em benefícios previdenciários. A atuação conjunta de órgãos de controle tem ampliado o monitoramento sobre bancos e fintechs que operam com crédito consignado.

Ainda não há prazo oficial para a retomada das operações do C6 no sistema do INSS. A liberação dependerá da conclusão das análises e da eventual correção das irregularidades identificadas. Enquanto isso, aposentados e pensionistas continuam podendo contratar consignado com outras instituições autorizadas.

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