Johnson & Johnson propõe pagar 5,5 bilhões de dólares para encerrar processos sobre talco
A Johnson & Johnson propôs pagar até US$ 5,5 bilhões para encerrar cerca de 76 mil processos nos Estados Unidos. As ações judiciais alegam que o talco da empresa causou câncer de ovário. O acordo depende da aceitação de escritórios que representam 95% das causas
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A Johnson & Johnson (J&J) propôs o pagamento de até US$ 5,5 bilhões (aproximadamente R$ 28 bilhões) para encerrar milhares de ações judiciais nos Estados Unidos. As disputas legais alegam que o talco para bebês e outros itens da linha causaram câncer de ovário nos consumidores.
Detalhes do acordo financeiro
A proposta da companhia, sediada em Nova Jersey, visa solucionar a maioria das reivindicações pendentes, abrangendo cerca de 76 mil casos. O cronograma de desembolso prevê a oferta de até US$ 3 bilhões (R$ 15,4 bilhões) ao longo do próximo ano, com a previsão de que não haja pagamentos adicionais antes de 2028.
Para que a resolução seja finalizada, é necessária a aceitação de escritórios de advocacia que representam 95% dos processos de câncer de ovário tramitando em tribunais federais e estaduais.
Histórico e controvérsias do produto
As ações judiciais contra a J&J tiveram início em 2009. O cerne das acusações reside na possível contaminação do talco — mineral composto por magnésio, silício, oxigênio e hidrogênio — por amianto, substância carcinogênica frequentemente encontrada em veios geológicos próximos aos do talco.
Em resposta a essas pressões, a empresa adotou as seguintes medidas:
- Alterou a fórmula do seu talco para bebês;
- Interrompeu as vendas do produto nos Estados Unidos;
- Em 2022, encerrou a fabricação e a comercialização do pó à base de talco em escala global.
Posicionamento da empresa
A J&J nega que seus produtos causem câncer ou contenham amianto, sustentando que estudos comprovam a segurança do mineral. Erik Haas, vice-presidente de litígios da companhia, classificou as alegações como infundadas e afirmou que a empresa teria prevalecido em julgamentos mais aprofundados, citando a maioria dos casos já decididos.
Recentemente, em julho, um tribunal federal favoreceu a empresa ao questionar a capacidade das autoras dos processos de provarem que o uso do talco foi a causa direta da doença. Segundo Haas, o acordo permite que a companhia encerre a disputa judicial para concentrar seus investimentos no desenvolvimento de dispositivos e medicamentos.