Lucro do Banco do Brasil cai 45,4% em 2025, para R$ 20,685 bilhões
O Banco do Brasil apurou lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões em 2025, valor 45,4% inferior ao registrado no ano anterior. O crédito totalizou R$ 13 bilhões para o trabalhador e a carteira de crédito ampliada alcançou R$ 1,296 trilhão. A inadimplência subiu de 3,16% para 5,17% entre dezembro de 2024 e o final de 2025, impactada pelo agronegócio e carteira de pessoas físicas
O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões em 2025, representando uma diminuição de 45,4% em relação ao ano anterior. A queda no resultado foi influenciada pela adoção de novas regras contábeis, implementadas a partir de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) em janeiro do ano passado, e pelo aumento da inadimplência. A mudança no modelo de provisões, que passou a considerar perdas esperadas com base em estimativas, impactou o reconhecimento de receitas de crédito em R$ 1 bilhão.
No último trimestre do ano, o lucro do banco alcançou R$ 5,742 bilhões, queda de 47,2% em comparação com o mesmo período de 2024. Apesar do recuo anual, houve um crescimento de 51,7% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
O crédito concedido pelo Banco do Brasil em 2025 totalizou R$ 13 bilhões para o trabalhador, reforçando a estratégia de expansão em linhas com melhor retorno ajustado ao risco. A carteira de crédito ampliada do banco atingiu R$ 1,296 trilhão, com alta de 1,4% no último trimestre e de 2,5% no ano.
A inadimplência, considerando atrasos superiores a 90 dias, apresentou elevação de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% no final de 2025. O desempenho do agronegócio e da carteira de cartões de crédito foram os principais fatores que contribuíram para esse aumento. A inadimplência na carteira de crédito do agronegócio encerrou o ano em 6,09%, com um aumento de 1,25 ponto percentual no último trimestre. Já a inadimplência da carteira de pessoas físicas atingiu 6,56%, com elevação de 0,55 ponto percentual no mesmo período.
Na distribuição do crédito, a carteira de pessoa física somou R$ 356,96 bilhões em dezembro, com alta de 1,8% no trimestre e de 7,6% no ano, impulsionada pela nova modalidade de crédito consignado para CLT, que totalizou R$ 14,3 bilhões. A carteira para pessoas jurídicas alcançou R$ 455,15 bilhões, com aumento de 0,5% no trimestre e de 0,6% no ano. A carteira para grandes empresas totalizou R$ 260,4 bilhões, com alta de 4,3% em 12 meses, enquanto a carteira para micro, pequenas e médias empresas somou R$ 115,2 bilhões, com recuo de 7,9% no ano passado. O agronegócio registrou R$ 406,13 bilhões, com alta de 1,8% no trimestre e de 2,1% no ano, e o banco destinou R$ 103,9 bilhões em crédito ao setor nos seis meses do Plano Safra 2025/2026, além de R$ 12,3 bilhões para a cadeia de valor do agro. A carteira de Crédito Sustentável atingiu R$ 415,1 bilhões, financiando atividades com impactos sociais e ambientais positivos, com alta de 7,3% em 12 meses, correspondendo a 32% do crédito total do banco.
As receitas de prestação de serviços totalizaram R$ 34,813 bilhões em 2025, queda de 1,9% em relação ao ano anterior, mas o resultado foi parcialmente compensado pelo crescimento nas receitas com administração de fundos (13,5%), taxas de administração de consórcios (19,3%) e rendas do mercado de capitais (7,9%). As despesas administrativas somaram R$ 34,813 bilhões, alta de 5,1% em relação a 2024, justificada pelo reajuste salarial e pelos investimentos em tecnologia e cybersegurança.
Para 2026, o Banco do Brasil projeta um lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, com crescimento da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%, alta de 6% a 10% para pessoas físicas, queda de 2% a alta de 2% para o agronegócio e queda de 3% a alta de 1% para empresas. A expectativa é de crescimento das receitas de prestação de serviços entre 2% e 6%, com despesas administrativas subindo entre 5% e 9%, e custo do crédito (perdas esperadas com inadimplência e outros riscos) entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões.