Economia

Lula defende prioridade para investimentos em detrimento do superávit nas contas públicas em Curitiba

12 de Setembro de 2026 às 15:50 2 min de leitura

Em comício em Curitiba, o presidente Lula afirmou que o crescimento econômico deve ser priorizado frente ao superávit público para gerar empregos. A fala diverge do plano de governo no TSE e de declarações anteriores, enquanto o Ministério da Fazenda projeta um superávit de R$ 18,6 bilhões

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em comício realizado em Curitiba (PR) neste sábado (12), que o crescimento econômico é a via necessária para a geração de empregos no Brasil. Na ocasião, o petista, que disputa a reeleição para a Presidência da República em outubro, afirmou que o governo deve priorizar investimentos em detrimento da busca por um superávit nas contas públicas.

Contradições fiscais e plano de governo

As falas divergem do plano de governo protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no qual o PT propõe a adoção de uma política fiscal responsável para estimular investimentos produtivos, fomentar o crescimento de longo prazo e reduzir a taxa de juros.

A postura também contrasta com declarações dadas pelo presidente à TV Globo no final de agosto. Naquela oportunidade, Lula garantiu a entrega de um superávit e detalhou a intenção de promover uma "revolução tecnológica" em um eventual novo mandato, com aportes em defesa, terras raras, minerais críticos e inteligência artificial.

Metas do Ministério da Fazenda e Orçamento

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem reiterado que a meta da gestão, caso seja reeleita, é retomar a trajetória de saldo positivo nas contas públicas a partir de 2027. A proposta orçamentária encaminhada ao Congresso Nacional prevê um superávit de R$ 18,6 bilhões, após um período de déficits durante o mandato atual.

Para viabilizar a queda da taxa Selic, que atualmente está em 14% ao ano — um dos maiores patamares reais do mundo —, a equipe econômica projeta um ajuste nas contas do governo de dois pontos do PIB em um próximo mandato, seguindo um ritmo gradual.

Impacto na dívida pública e juros

A medida busca conter a dívida pública, que alcançou 82% do PIB em junho, o nível mais alto desde a pandemia e um aumento superior a 10 pontos na gestão atual de Lula.

A trajetória de déficits fiscais recorrentes tem elevado a desconfiança de investidores, que passam a exigir juros mais altos para financiar o governo. Esse cenário encarece a rolagem da dívida pública via emissão de títulos do Tesouro Nacional e cria um ciclo de endividamento crescente.

A redução da Selic sem embasamento técnico não assegura a queda dos juros na economia, pois as taxas de longo prazo são definidas pelo mercado com base em expectativas sobre gastos públicos, atividade econômica e inflação. Quando essas perspectivas se deterioram, a pressão por taxas mais elevadas persiste.

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