Mercado financeiro eleva projeções de inflação e dólar e reduz expectativa de crescimento econômico
O mercado financeiro elevou as projeções de inflação, juros e dólar, reduzindo a expectativa de crescimento econômico. O ministro Dario Durigan planeja ajustes graduais nas contas públicas para atingir superávit primário em 2027
O mercado financeiro revisou para cima as projeções de inflação, taxa de juros e a cotação do dólar, enquanto reduziu as expectativas de crescimento da economia brasileira para este ano e para os próximos. Os dados constam no boletim semanal do Banco Central, o primeiro documento divulgado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Essa mudança nas previsões acompanha a volatilidade registrada recentemente em ativos nacionais, com quedas no índice da Bolsa de Valores e alta nos juros futuros.
Gestão fiscal e metas do governo
Diante do cenário, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, comprometeu-se a aprimorar a trajetória das contas públicas, embora tenha rejeitado a adoção de medidas sugeridas pela oposição. O plano do Partido dos Trabalhadores prevê um ajuste gradual nas finanças do país, estimado em dois pontos do Produto Interno Bruto (PIB) durante o quarto mandato presidencial.
A meta do governo é que o resultado primário retorne ao superávit em 2027, após um período de déficits que deve se estender por todo o mandato atual. Para alcançar esse objetivo, o ministro defende a revisão rigorosa de políticas públicas e a melhoria da governança em investimentos estratégicos, assegurando que a medida não visa a retirada de direitos, mas a eficiência na aplicação dos recursos.
Pressões do mercado e compromissos sociais
A reticência do setor financeiro baseia-se na dificuldade de conciliar um ajuste fiscal robusto e célere com as promessas de governo. Entre os pontos de atenção estão:
- Manutenção de programas sociais;
- Aumentos reais do salário mínimo e de aposentadorias;
- Preservação de orçamentos nas áreas de saúde e educação.
Para os analistas, a persistência de déficits fiscais eleva a pressão sobre os juros e, consequentemente, amplia o endividamento público, tornando indispensável um corte de gastos mais agressivo para estabilizar a economia.
Sobre a possibilidade de mudanças no comando da pasta, Dario Durigan afirmou que não discute sucessão e que segue o cronograma do presidente, mantendo o foco na apresentação de diagnósticos e propostas para a melhoria da condição fiscal do país.