Mercado financeiro projeta redução da taxa Selic para 14% ao ano nesta quarta-feira
O mercado financeiro projeta a redução da taxa Selic para 14% ao ano nesta quarta-feira (5), com 95% de probabilidade segundo a B3. A expectativa é impulsionada pela desaceleração do IPCA, que registrou alta de 0,16% em junho

O mercado financeiro projeta a redução da taxa Selic para 14% ao ano nesta quarta-feira (5), representando um corte de 0,25 ponto percentual em relação ao patamar atual de 14,25%. Caso a expectativa se confirme, será a quarta queda consecutiva desde março.
A convergência desse cenário é reforçada pelas opções de Copom da B3, onde as apostas indicam 95% de probabilidade para a redução da taxa básica.
Indicadores de inflação e câmbio
A mudança na percepção do mercado, que em junho via pouco espaço para novos cortes, foi impulsionada pela desaceleração do IPCA. O índice oficial registrou alta de 0,16% em junho, contra 0,58% em maio, enquanto a prévia do IPCA-15 de julho mostrou uma queda ainda maior, atingindo 0,06%.
Essa moderação nos preços foi resultado da reversão parcial do choque nos combustíveis e da queda sazonal nos alimentos. Como reflexo, o boletim Focus registrou a quinta redução seguida na projeção da inflação para 2026, que passou de 5,12% para 5,03%. O cenário foi complementado pela estabilidade do dólar, que tem oscilado entre R$ 5,10 e R$ 5,20.
Projeções para a Selic e juros reais
As instituições financeiras revisaram a expectativa para a taxa de juros ao final deste ano, agora estimada em 13,75%, superando a visão anterior de que o Banco Central não cortaria abaixo de 14%. No entanto, há divergências entre as casas de análise:
- Itaú, Bradesco, BTG Pactual e Santander: preveem a Selic em 13,75% no fechamento do ano.
- Bank of America (BofA), Goldman Sachs, XP e ASA: estimam um corte adicional de 0,25 ponto, fixando a taxa em 14%.
Apesar do movimento de queda imediato, as expectativas de inflação permanecem acima da meta de 3% ao ano. Para o médio prazo, as projeções do Focus indicam a manutenção de juros reais elevados:
| Período | Juro Projetado | Inflação Projetada |
|---|---|---|
| Final de 2026 | 13,75% | 5,03% |
| Final de 2027 | 12,00% | 4,22% |
| Final de 2029 | 10,00% | 3,50% |
Pressões externas e cenário fiscal
O cenário doméstico é monitorado paralelamente às movimentações do Fed, o Banco Central dos Estados Unidos. A ferramenta CME FedWatch aponta que 56,9% dos investidores preveem a alta dos juros americanos na reunião de 16 de setembro, contra 43,1% que apostam na manutenção da faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.
A elevação das taxas nos EUA tende a pressionar a alta do dólar, o que impacta a inflação brasileira e pode forçar o Banco Central a elevar os juros locais para conter a alta de preços.
Neste contexto, o foco do mercado recai sobre o comunicado do Copom, para avaliar se a autoridade monetária sinalizará a continuidade do ciclo de cortes ou se indicará uma pausa devido à incerteza fiscal e à resistência das expectativas inflacionárias.