Economia

Ministério da Fazenda reduz projeções de crescimento do PIB para os anos de 2026 e 2027

23 de Setembro de 2026 às 10:20 3 min de leitura

O Ministério da Fazenda reduziu as projeções do PIB para 2% em 2026 e 2,3% em 2027. A revisão, detalhada no Boletim Macrofiscal, aponta queda nas estimativas de serviços e indústria, enquanto a agropecuária teve alta. A previsão do IPCA para 2027 subiu para 3,8%

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Ministério da Fazenda reduz projeções de crescimento do PIB para os anos de 2026 e 2027
© MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

O Ministério da Fazenda revisou para baixo as projeções de crescimento do PIB para os próximos anos. De acordo com o Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), divulgado nesta terça-feira (22), a estimativa de expansão da economia para 2026 caiu de 2,3% para 2%. Para 2027, a previsão foi ajustada de 2,5% para 2,3%.

A redução reflete a manutenção da Taxa Selic em patamares contracionistas e a percepção de que a flexibilização monetária ocorrerá de forma mais gradual do que o previsto anteriormente. Esse cenário de juros restritivos impacta a atividade econômica, especialmente no segundo semestre de 2026.

Desempenho por setores e consumo

A revisão do crescimento para 2026 concentrou-se em áreas sensíveis ao crédito e à demanda interna. O setor de serviços teve sua projeção reduzida de 2,4% para 1,8%, enquanto a indústria caiu de 2,1% para 1,7%. No sentido oposto, a agropecuária teve a estimativa elevada de 1,8% para 2,8%, embora esse avanço não tenha sido suficiente para anular as perdas dos demais setores.

A queda nos serviços é atribuída à transmissão da política monetária sobre o consumo e ao desempenho fraco do primeiro semestre. Somado a isso, o endividamento das famílias atua como barreira: no segundo trimestre, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas atingiu o maior nível da série histórica, limitando a conversão de rendimentos em consumo.

Inflação e pressões climáticas

Para 2027, o governo prevê um cenário de menor crescimento e inflação mais alta. A projeção do IPCA subiu de 3,6% para 3,8%. Esse aumento é justificado pelos impactos do El Niño, que pode elevar os preços de grãos e, consequentemente, de carnes.

Já a análise dos dados até julho mostra que a inflação ficou parcialmente abaixo do esperado, principalmente em serviços e alimentos consumidos nos domicílios. Atualmente, a meta contínua de inflação é de 3%, com teto de tolerância em 4,5%.

Perspectivas de recuperação e riscos

A Fazenda projeta que a redução da Selic, iniciada em 2026, estimule gradualmente a construção, a indústria de transformação e serviços cíclicos, reduzindo o custo de capital e favorecendo os investimentos.

Entretanto, o relatório aponta riscos que podem alterar essas trajetórias, como:

  • Volatilidade nos preços do petróleo e de energia devido a conflitos internacionais;
  • Condições de crédito para empresas e famílias;
  • Desempenho da indústria extrativa e das exportações;
  • Ritmo de recuperação da demanda doméstica.

Impacto no planejamento fiscal

Os dados do Boletim Macrofiscal servem de base para o Orçamento da União e para a atualização de receitas e despesas públicas. Estes indicadores serão utilizados no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, com divulgação prevista para a próxima quinta-feira (24), pelos ministérios do Planejamento e da Fazenda.

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