Economia

Ministro da Fazenda descarta tabelamento da taxa Selic e uso de reservas cambiais pelo governo

02 de Novembro de 2026 às 19:00 2 min de leitura

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou a adoção de tabelamento da Selic ou uso de reservas cambiais. O governo também refutou a existência de reuniões ou discussões sobre as teses do economista André Lara Resende

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou a possibilidade de o governo adotar medidas como o tabelamento da taxa Selic ou a utilização de reservas cambiais para mitigar a saída de capitais do país. O posicionamento ocorre em meio a especulações sobre a influência de propostas do economista André Lara Resende no planejamento do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Gestão econômica e agenda presidencial

Durigan negou a existência de qualquer reunião agendada entre o presidente e André Lara Resende, refutando informações publicadas anteriormente. O ministro afirmou que, embora diversos economistas tenham se colocado à disposição para dialogar com a Presidência e com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, não há compromissos marcados com Resende.

Mercadante, que coordenou os grupos técnicos na transição governamental e elaborou o plano de governo de 2022, também negou que as teses de Lara Resende estejam sob discussão. O presidente do BNDES enfatizou que a gestão prioriza a transparência e a previsibilidade da política econômica, indicando que a definição de responsabilidades e a montagem das equipes ocorrerão a partir desta terça-feira (3), data em que Lula inicia as discussões sobre seu quarto mandato.

Propostas de redução de juros

As sugestões de André Lara Resende, publicadas no fim de setembro, defendem a reestruturação da relação entre as políticas fiscal e monetária para forçar a queda dos juros. O economista propõe a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, responsável por estabelecer metas para um horizonte de quatro a cinco anos.

No plano apresentado, Resende sugere que o Banco Central promova uma redução gradual da taxa básica de juros ao longo de 12 meses. O objetivo seria atingir o nível da taxa de crescimento nominal potencial, acrescido de um spread de segurança transitório de 2%, o que situaria a Selic em torno de 7,5% ao ano.

Atualmente, a taxa Selic está fixada em 13,75% ao ano, conforme definição do Comitê de Política Monetária (Copom). Resende critica a manutenção desse patamar, classificando as teorias monetárias e fiscais vigentes como anacrônicas.

Reações políticas

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) manifestou apoio público ao artigo de Lara Resende, classificando-o como essencial para a defesa da política fiscal brasileira. A parlamentar também criticou a reação negativa do mercado financeiro diante da possibilidade de diálogo entre o governo e o economista, atribuindo ao setor um perfil autoritário.

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