Economia

Nabors Industries projeta reduzir a equipe de cada poço em 75% com inteligência artificial

12 de Abril de 2026 às 15:37

A Nabors Industries projeta reduzir a equipe de cada poço de 20 para cinco profissionais via sondas automatizadas por inteligência artificial, visando a redução de bilhões de dólares em custos salariais nos Estados Unidos. A automação robótica também é adotada por empresas como BP e Petrobras, embora a substituição total por sistemas autônomos demande anos

A Nabors Industries, principal empresa de perfuração onshore do mundo, planeja reduzir a força de trabalho em cada poço de 20 para apenas cinco profissionais por meio da implementação de sondas automatizadas com inteligência artificial. Essa redução de 75% na equipe operacional projeta uma economia de bilhões de dólares em salários nos Estados Unidos.

O avanço tecnológico é impulsionado por iniciativas como a do consórcio Inteliwell, formado por Transocean, Viasat e Intelilift (subsidiária da Nekkar), que desenvolveu sistemas para automatizar todo o ciclo de construção de poços. A estrutura integra o InteliPlan, responsável pela programação, o InteliAutomate, que envia instruções aos controladores da sonda, e o InteliAssist, voltado ao monitoramento de parâmetros e simulações de engenharia. A Intelie, incorporada à Viasat após a aquisição da RigNet em 2021, provê a análise de dados em tempo real e a IA, tornando o sistema compatível com sondas onshore e offshore. Esse movimento reflete a tendência de petroleiras de investir bilhões em inovação, motivadas por regulamentações que exigem a aplicação de recursos em pesquisa e desenvolvimento.

Na operação direta, a National Oilwell Varco implementou o Iron Roughneck, robô que automatiza a conexão de segmentos de tubulação. A tecnologia reduziu a necessidade de três profissionais para dois em tarefas de alto risco. A automação se estende à vigilância e manutenção com os robôs quadrúpedes Spot, da Boston Dynamics, que realizam coletas de dados e inspeções em refinarias e plataformas, e com os ROVs da Universidade de Houston. Equipados com sensores SmartTouch e sonares de varredura, esses veículos submarinos autônomos substituem mergulhadores na detecção de falhas em oleodutos.

A BP projeta a expansão desse modelo para que a automação ocorra antes mesmo da chegada à plataforma. Segundo Ahmed Hashmi, diretor de tecnologia de exploração e extração da companhia, a meta é permitir que engenheiros projetem poços em escritórios e, via modelos 3D e comandos automatizados, enviem as instruções de construção diretamente para o campo.

No cenário brasileiro, a automação impacta a produtividade de um país que é o sétimo maior produtor mundial, com 5,3 milhões de barris por dia, representando ganhos de bilhões de reais. Um exemplo é o Projeto Annelida, parceria entre Petrobras e SENAI, que resultou em um robô para desobstrução de dutos em profundidades extremas nos campos do pré-sal.

A transição total para sistemas autônomos deve levar anos, pois a maioria das tecnologias ainda está em fase de teste ou piloto, com exceção do Iron Roughneck, consolidado desde 2017. Custos de hardware e de transição podem, em certas etapas, superar os ganhos de eficiência da IA. Por isso, a tendência é uma coexistência gradual, na qual a função do sondador offshore e de outros operacionais migre para a supervisão e manutenção dos sistemas automatizados.

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