Economia

Noruega torna-se o principal fornecedor de gás natural para a União Europeia em 2025

04 de Julho de 2026 às 06:06

A Noruega forneceu 31% do gás natural importado pela União Europeia em 2025. O fundo soberano do país acumulou 21,3 trilhões de coroas norueguesas ao final do mesmo ano. A matriz elétrica nacional possui 89% de produção hidrelétrica

Noruega torna-se o principal fornecedor de gás natural para a União Europeia em 2025
Maarten Heerlien/@Maarten1979/Reprodução

A Noruega consolidou-se como o principal fornecedor de gás natural da União Europeia, respondendo por 31% das importações do bloco em 2025. O país mantém uma posição estratégica no mercado global de gás e figura entre os maiores produtores mundiais de petróleo, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Essa base produtiva sustenta o setor de maior valor em arrecadação pública e exportações do país, servindo de alicerce para a transição rumo a uma economia de baixo carbono.

O governo norueguês defende que a extração de combustíveis fósseis coexiste com as metas climáticas. A tese do Ministério da Energia e da Diretoria Norueguesa de Offshore é que o gás natural atua como complemento às fontes solar e eólica, que possuem geração intermitente, e que a substituição de usinas a carvão por gás reduz a emissão de gases de efeito estufa e melhora a qualidade do ar. Para fortalecer essa agenda, Noruega e União Europeia firmaram, em 2023, a Aliança Verde, focada em proteção ambiental, transição industrial e energia limpa.

A gestão dessa riqueza é centralizada no Government Pension Fund Global (GPFG). O fundo soberano converte a renda do petróleo e do gás em ativos financeiros para proteger a economia de oscilações de mercado e garantir recursos para gerações futuras. Ao final de 2025, o patrimônio do GPFG somava 21,3 trilhões de coroas norueguesas (cerca de R$ 11,2 trilhões), o que representa aproximadamente 3,8 milhões de coroas (R$ 2 milhões) por habitante. O fundo aplica diretrizes sociais e ambientais em seus investimentos globais e expande a alocação em infraestrutura de energia renovável.

Apesar do planejamento robusto reconhecido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o organismo alerta que a dependência de recursos naturais pode ser prejudicial. O risco reside na possibilidade de o país priorizar a captura de receitas em detrimento de reformas estruturais e de produtividade, o que poderia desacelerar setores econômicos fora da indústria petrolífera.

Internamente, a transição energética é impulsionada por uma matriz elétrica onde 89% da produção provém de hidrelétricas, conforme a IEA. Essa característica facilitou a eletrificação da indústria, de residências e do transporte. O governo implementou benefícios tributários, regras estáveis e expansão de recarga para que todas as vendas de carros novos sejam de modelos sem emissões. O impacto é mensurado pelo relatório Global EV Outlook 2025, da IEA, que aponta uma queda de 12% no uso de petróleo no transporte rodoviário desde 2021. Com a consolidação da frota elétrica, os incentivos fiscais estão sendo reduzidos gradualmente para manter a arrecadação pública.

A estratégia de descarbonização inclui a criação de zonas de emissão zero pelos municípios, critérios ambientais em obras públicas e metas obrigatórias de redução de gases de efeito estufa. A própria extração de petróleo busca a eficiência energética, como exemplifica o Hywind Tampen — o maior parque eólico flutuante do mundo —, que fornece eletricidade renovável para as plataformas de produção no Mar do Norte.

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