Economia

Novas tarifas dos Estados Unidos impactam em 6,6 bilhões de dólares as exportações brasileiras

25 de Julho de 2026 às 06:09

Novas tarifas dos Estados Unidos impactarão US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras, com sobretaxa de 37,5% sobre 16,5% do total das vendas. Segundo o Mdic, as medidas atingem setores como confecções, móveis e calçados, entrando em vigor em julho de 2026

Novas tarifas dos Estados Unidos impactam em 6,6 bilhões de dólares as exportações brasileiras
© FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ AGÊNCIA BRASIL

Produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos sofrerão um impacto de US$ 6,6 bilhões devido a novas tarifas impostas por Washington. O dado, divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), indica que a sobretaxa acumulada de 37,5% atinge 16,5% do total das exportações do Brasil para o mercado norte-americano.

No total, as medidas tarifárias abrangem 23,1% das vendas brasileiras para os EUA. A distribuição do impacto financeiro e tributário detalha que:

  • US$ 21,3 bilhões (52,7%) das exportações não foram atingidas pelas novas sobretaxas;
  • US$ 9,8 bilhões (24,2%) permanecem sob as tarifas setoriais já existentes da Seção 232;
  • US$ 6,6 bilhões (16,5%) estão sujeitos à tarifa acumulada de 37,5%;
  • US$ 1,9 bilhão (4,7%) terá tributação de 12,5%;
  • US$ 800 milhões (1,9%) pagarão a sobretaxa de 25%.

Os itens mais afetados incluem confecções, móveis, calçados, gorduras, óleos, madeiras, além de máquinas e equipamentos. Por outro lado, produtos como carnes, café, aeronaves, frutas, suco de laranja, ferro fundido e a maior parte da celulose e químicos não sofreram as novas sobretaxas.

Mecanismos de tributação e a Seção 301

A maior parte das restrições fundamenta-se na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos (Trade Act de 1974), que permite a retaliação tarifária contra países com práticas comerciais consideradas injustas ou prejudiciais aos interesses americanos.

No caso do Brasil, a incidência de 37,5% ocorre pela soma de duas investigações distintas:

  1. Uma apuração específica contra o Brasil, que resultou em sobretaxa de 25% (com algumas exceções);
  2. Uma investigação sobre o combate ao trabalho forçado em cadeias globais, que aplicou alíquotas de 10% ou 12,5% a 60 parceiros comerciais, sendo o Brasil um dos 41 países taxados em 12,5%.

As novas regras entraram em vigor em julho de 2026, excetuando-se mercadorias embarcadas antes desse prazo e que chegaram aos EUA dentro do período estabelecido.

Diferenciação da Seção 232

Diferente da Seção 301, a Seção 232 (da Lei de Expansão Comercial de 1962) foca na segurança nacional e costuma aplicar tarifas a setores inteiros para todos os parceiros, como ocorre com o aço e o alumínio. O Mdic esclarece que produtos enquadrados na Seção 232 não acumulam as novas sobretaxas da Seção 301.

Retração do comércio bilateral

O aumento das tarifas coincide com uma desaceleração nas trocas comerciais entre as duas nações. Após o recorde de US$ 40,4 bilhões em exportações brasileiras em 2024, o volume caiu para US$ 37,7 bilhões em 2025, mantendo a tendência de queda em 2026.

No primeiro semestre deste ano, as vendas do Brasil para os EUA somaram US$ 17,4 bilhões, o que representa uma queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os recuos mais expressivos foram registrados no petróleo bruto (-30,4%) e em produtos semiacabados de ferro e aço (-21,7%).

Essa dinâmica reduziu a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras:

  • 2024: 12% de participação;
  • 2025: 10,8% de participação;
  • 1º semestre de 2026: 9,4% (comparado aos 12,1% no primeiro semestre de 2025).

A corrente de comércio bilateral sofreu uma retração de 12,8% no primeiro semestre, influenciada também pela diminuição das importações brasileiras de produtos norte-americanos. Para o Mdic, a ampliação do uso de instrumentos tarifários por Washington e a instabilidade nas condições de acesso ao mercado elevam a incerteza no comércio bilateral.

Com informações de Agência Brasil

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