Economia

ONS determina corte de 1 gigawatt na geração de energia para equilibrar sistema elétrico

29 de Agosto de 2026 às 06:39 3 min de leitura

O Operador Nacional do Sistema Elétrico determinou o corte de 1 GW de geração de energia no domingo (23), entre 11h e 13h30. A medida visou equilibrar a oferta e a demanda no sistema elétrico

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ONS determina corte de 1 gigawatt na geração de energia para equilibrar sistema elétrico
Reprodução/Jornal Nacional

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determinou que distribuidoras cortassem aproximadamente 1 gigawatt (GW) de geração de energia entre as 11h e 13h30 do último domingo (23). A medida, acionada para equilibrar a oferta e a demanda no sistema elétrico, ocorreu pela segunda vez desde junho, quando o mecanismo foi utilizado pela primeira vez.

A necessidade de intervenção decorre da natureza intermitente das energias renováveis, como a solar e a eólica, cuja produção depende de fatores naturais e nem sempre coincide com os picos de consumo. O descompasso é mais evidente aos finais de semana, quando a redução de atividades industriais e comerciais diminui a demanda, enquanto a geração solar pode atingir níveis superiores à capacidade de absorção da rede. Como a eletricidade não pode ser armazenada em larga escala, o ONS atua para preservar a segurança da operação.

Impactos financeiros e operacionais

A instabilidade na absorção da energia tem gerado perdas econômicas. A consultoria Volt Robotics estimou que os prejuízos resultantes de cortes na geração solar e eólica somaram R$ 6,5 bilhões em 2025. Esse cenário compromete o retorno de capital para investidores do setor e pode dificultar o cumprimento de obrigações financeiras assumidas.

Operacionalmente, o ONS prioriza a redução da geração de hidrelétricas e termelétricas ao mínimo. Quando a oferta permanece excedente, são efetuados cortes em fontes eólicas e solares. No caso das usinas tipo III, que não são despachadas diretamente pelo operador, a redução é organizada por meio das distribuidoras, que recebem a energia produzida.

A expansão da geração distribuída

Atualmente, o Brasil possui 4,6 milhões de consumidores que atuam como micro ou minigeradores de energia, representando 5% do total de usuários. Essa modalidade de geração distribuída ocorre em residências, propriedades rurais e estabelecimentos comerciais, principalmente via painéis solares.

O crescimento desse modelo foi impulsionado por incentivos fiscais e regulatórios. De acordo com o Marco Legal da Geração Distribuída de 2022, quem solicitou o serviço até janeiro de 2023 mantém a isenção de custos de distribuição até 2045. Para as adesões posteriores, foi estabelecido um regime de transição com cobranças graduais pelo uso da infraestrutura elétrica.

Esses subsídios são financiados pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), cujos recursos provêm da União e de encargos na conta de luz dos consumidores. A Aneel estimou a CDE em R$ 52,7 bilhões para 2026, dos quais R$ 47,8 bilhões seriam pagos via tarifa, transferindo custos de infraestrutura para consumidores que não possuem a capacidade de instalar sistemas de geração própria.

Estratégias de mitigação

Para solucionar o desequilíbrio entre carga e geração, o ONS estuda a ampliação de sistemas de armazenamento de energia, o reforço na infraestrutura de transmissão e a atração de cargas eletrointensivas, como data centers.

Paralelamente, a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) propõe a implementação de tarifas horárias nas distribuidoras, a instalação de sistemas de armazenamento no Sistema Interligado Nacional (SIN) e a restrição de novos acessos em regiões com capacidade de rede esgotada. A entidade também defende o estímulo ao consumo de eletricidade por meio da mobilidade elétrica, eletrificação industrial e desenvolvimento do hidrogênio verde.

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