Economia

Órgão do G20 alerta que stablecoins podem representar riscos para a estabilidade financeira global

13 de Outubro de 2026 às 09:00 2 min de leitura

O Conselho de Estabilidade Financeira alertou sobre riscos de liquidez e instabilidade global causados por stablecoins. O órgão aponta perigos de dolarização informal em economias emergentes e deficiências na regulação e coleta de dados. Foram recomendadas a padronização de métricas e a cooperação internacional entre reguladores

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Órgão do G20 alerta que stablecoins podem representar riscos para a estabilidade financeira global
Stablecoin - Foto: Getty Images

O Conselho de Estabilidade Financeira (FSB), órgão de vigilância ligado ao G20, alertou em relatório publicado em outubro sobre os riscos que as stablecoins representam para a estabilidade financeira global. O ponto central de preocupação é a liquidez, especialmente em cenários de turbulência de mercado.

Como esses ativos operam com negociações ininterruptas (24 horas por dia, sete dias por semana), a velocidade de resgates em massa pode superar a capacidade dos emissores de liquidar suas reservas. Visto que as stablecoins são atreladas a moedas tradicionais, como o dólar, e lastreadas em ativos como títulos públicos, a incapacidade de atender à demanda imediata pode romper a paridade com a moeda de referência.

Riscos operacionais e jurisdicionais

A complexidade aumenta em modelos com múltiplos emissores. Nesses casos, diferentes empresas compartilham a responsabilidade por uma mesma moeda, mas mantêm reservas separadas. Em crises, a concentração de pedidos de resgate em apenas uma dessas empresas pode gerar gargalos, já que a transferência de reservas entre diferentes jurisdições nacionais é dificultada justamente nos momentos de maior necessidade de liquidez.

Impactos em mercados emergentes

Para as economias emergentes, o FSB destaca o risco de dolarização informal. A adoção de stablecoins atreladas ao dólar pode substituir a moeda local, reduzindo a capacidade de intermediação financeira dos bancos nacionais e prejudicando a gestão de fluxos de capitais. Esse fenômeno pode se tornar relevante mesmo antes de a adoção desses ativos atingir larga escala.

Deficiências de dados e regulação

A qualidade das informações disponíveis é outro entrave. Apesar da natureza das blockchains públicas, há dificuldades em identificar a localização dos usuários, a identidade dos operadores e a finalidade das transações. Atualmente, as autoridades dependem de empresas privadas de análise de dados que utilizam metodologias proprietárias e não padronizadas, o que gera inconsistências nas comparações.

Para mitigar esses problemas, o órgão recomenda:

  • Implementação de métricas padronizadas para monitoramento de riscos;
  • Fortalecimento da cooperação internacional e troca de dados entre reguladores;
  • Adoção de boas práticas na coleta de informações dentro e fora das blockchains.

Potencial econômico e inclusão

Apesar dos alertas, o relatório reconhece que as stablecoins podem beneficiar a economia real se os riscos forem controlados. Em países em desenvolvimento, esses ativos servem como reserva de valor contra a desvalorização cambial e promovem a inclusão financeira. No âmbito dos pagamentos, a tecnologia permite que transações domésticas e internacionais sejam realizadas de forma mais barata, rápida e transparente.

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