Parecer jurídico indica que reforma de cibersegurança da União Europeia pode violar regras da OMC
Parecer jurídico de Geraldo Vidigal indica que a reforma do Regulamento de Cibersegurança da UE (CSA2) pode violar normas da OMC ao discriminar fornecedores externos. A proposta prevê sanções a empresas de alto risco, com custos de substituição de equipamentos estimados entre 30 bilhões e 40 bilhões de euros
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Um parecer jurídico elaborado por Geraldo Vidigal, professor de Direito Internacional na Universidade de Amsterdã, aponta que a proposta de reforma do Regulamento de Cibersegurança da UE (CSA2) pode violar obrigações fundamentais da Organização Mundial do Comércio (OMC). O documento, emitido em 8 de setembro a pedido do escritório VVGB Advocaten, indica que o mecanismo de "segurança das cadeias de fornecimento" sugerido pela Comissão Europeia em janeiro estabelece um tratamento discriminatório contra fornecedores de tecnologia de fora da União Europeia.
Restrições a fornecedores de alto risco
A proposta de Bruxelas prevê a possibilidade de classificar empresas de países terceiros, ou até nações inteiras, como fornecedores de alto risco para as cadeias de suprimentos de TIC. Essa designação resultaria em sanções severas, incluindo:
- Exclusão e remoção de componentes em redes fixas, móveis e de satélite;
- Impedimento de participação em licitações públicas ou projetos com financiamento da UE;
- Revogação de certificações de cibersegurança europeias.
Tais medidas abrangem ativos de TIC essenciais em 18 setores classificados como críticos pela legislação comunitária. O conflito jurídico reside no fato de que essas regras não seriam aplicadas a empresas controladas e estabelecidas integralmente na UE, o que, na visão de Vidigal, exclui fornecedores externos dos principais mercados europeus em vez de ampliar o controle sobre todos os produtos tecnológicos.
Impactos no comércio global e jurídico
O tratamento diferenciado proposto poderia desrespeitar os princípios de tratamento nacional e de nação mais favorecida do GATT, além de compromissos de investimento, acesso ao mercado e normalização do comércio de serviços. O parecer alerta para a securitização das relações econômicas, movimento que coloca em xeque a estrutura jurídica do comércio mundial das últimas décadas.
No campo legal, a base jurídica da Comissão é questionada por José Luís da Cruz Vilaça, ex-presidente do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), que argumenta que a segurança nacional é competência dos Estados membros. Complementarmente, Santiago González-Varas Ibáñez, da Universidade de Alicante, aponta que a identificação de fornecedores de risco por critérios não técnicos gera uma discricionariedade excessiva.
Custos e riscos operacionais
O setor empresarial também manifestou preocupações sobre a viabilidade da CSA2. A GSMA e a Connect Europe alertam que a substituição massiva de equipamentos elevaria custos e prejudicaria a qualidade das redes. Um grupo de 17 CEOs de operadoras europeias defende que a retirada obrigatória de componentes reduziria a capacidade de investimento em infraestrutura de 5G, 6G e fibra.
Os impactos financeiros e temporais estimados são expressivos:
| Indicador | Estimativa |
|---|---|
| Custo de substituição (equipamentos chineses) | Entre 30 bilhões e 40 bilhões de euros |
| Prazo para conclusão (operadoras mais afetadas) | De 7 a 10 anos |
A análise indica que esse cenário pode afetar a inovação, a capacidade de negociação do setor e os preços finais ao consumidor.