Petrobras atinge valor de mercado recorde após descoberta de petróleo na Margem Equatorial
A Petrobras atingiu valor de mercado recorde de R$ 700,08 bilhões nesta sexta-feira (2) após a descoberta de petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas. O volume recuperável na região pode chegar a 10 bilhões de barris. O Ministério Público Federal solicita ao TRF1 a suspensão da licença ambiental para a exploração na área

A Petrobras encerrou o pregão desta sexta-feira (2) na B3 com um valor de mercado recorde de R$ 700,08 bilhões. O novo patamar histórico foi impulsionado pelo anúncio de uma descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na Margem Equatorial, especificamente na Bacia da Foz do Amazonas.
A descoberta ocorreu no poço Morpho, sendo a segunda ocorrência de óleo na região. Para a presidente da companhia, Magda Chambriard, o achado eleva as expectativas para a consolidação de uma nova fronteira exploratória no território brasileiro.
Potencial de exploração e desempenho financeiro
Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, indicam que o volume potencial total recuperável pode atingir 10 bilhões de barris de óleo equivalente, métrica que engloba tanto o petróleo quanto o gás natural.
Este novo recorde supera três marcas estabelecidas anteriormente em 2026:
- 15 de setembro: R$ 692,35 bilhões;
- 14 de abril: R$ 680,10 bilhões;
- 30 de março: R$ 677,24 bilhões.
No acumulado de janeiro a setembro, a geração de valor da Petrobras — somando a valorização de mercado e a distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio — foi de aproximadamente 185% em dólar. O desempenho supera o de outras gigantes do setor, como Chevron (138%), ExxonMobil (138%), TotalEnergies (135%), Shell (133%) e BP (131%).
Impasses jurídicos e ambientais
Apesar do avanço financeiro e técnico, a operação enfrenta resistências judiciais. O Ministério Público Federal (MPF) protocolou ação no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) solicitando a suspensão da licença ambiental para a exploração na área.
O pedido foca na interrupção imediata de testes ou perfurações no bloco marítimo FZA-M-59. A fundamentação do MPF baseia-se em dois pontos principais:
- Insegurança operacional: a menção a um vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico ocorrido em janeiro deste ano.
- Questões sociais: a falta de consulta prévia a comunidades quilombolas, pescadores artesanais e povos indígenas do Pará e Amapá, conforme preconiza a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).