Petrobras aumenta preço do querosene de aviação em 11,76% a partir desta quinta-feira
A Petrobras elevou o preço médio do querosene de aviação em 11,76%, passando para R$ 6,242 o litro nesta quinta-feira (1º). O valor atual é 74% maior que o registrado em março. A alta reflete a redução da oferta global de petróleo devido a instabilidades no Estreito de Ormuz

O preço médio do querosene de aviação (QAV) nas refinarias da Petrobras sofreu um reajuste de 11,76%, com vigência a partir desta quinta-feira (1º). O valor do litro do combustível, utilizado por helicópteros e aviões, subiu de R$ 5,585 em setembro para R$ 6,242 em outubro.
A alta atual consolida um movimento ascendente expressivo: o preço médio registrado agora é 74% superior ao valor de R$ 3,592 por litro observado em 1º de março.
Impactos nos custos operacionais
O encarecimento do combustível alterou a estrutura de gastos do setor aéreo brasileiro. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicam que, antes do conflito no Oriente Médio, o QAV representava aproximadamente 30% das despesas operacionais das empresas aéreas.
De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), esse peso saltou para mais de 45% dos custos operacionais após o início das tensões militares.
Fatores geopolíticos e mercado
A instabilidade no Estreito de Ormuz, rota marítima ao sul do Irã, é a causa central da pressão nos preços. A região é estratégica, pois por ela transitavam 20% da produção global de óleo e gás antes da guerra. A redução da oferta de petróleo nos mercados internacionais elevou o custo da commodity, que tem precificação global, independentemente da produção interna do Brasil.
O histórico recente de preços reflete a volatilidade diplomática entre Estados Unidos e Irã:
- Junho e julho: Redução nos preços devido a aproximações para um acordo.
- Agosto, setembro e outubro: Retomada da trajetória de alta.
- Maio: A Petrobras permitiu o parcelamento do reajuste para as distribuidoras, visando mitigar o impacto financeiro imediato nas companhias aéreas.
Estrutura de mercado e distribuição
A Petrobras detém cerca de 85% da produção nacional de QAV, embora o setor opere sob regime de livre concorrência, permitindo a atuação de outras importadoras e produtoras.
O fluxo de comercialização ocorre da seguinte forma: a estatal vende o produto (produzido em refinarias próprias ou importado) para as distribuidoras. Estas, por sua vez, realizam o transporte e a venda final para revendedores ou diretamente para as empresas de transporte nos aeroportos.