Petrobras aumenta preço do querosene de aviação em média 13,9% a partir desta terça-feira
A Petrobras elevou o preço do querosene de aviação em 13,9%, com acréscimo médio de R$ 0,68 por litro a partir desta terça-feira (1º). Os valores nas refinarias variam entre R$ 5,44 e R$ 5,70, totalizando uma alta de 53,3% desde o início do ano

O querosene de aviação (QAV) teve seu preço elevado em 13,9%, em média, pela Petrobras, com vigência a partir desta terça-feira (1º). O reajuste representa um acréscimo médio de R$ 0,68 por litro, estabelecendo valores que oscilam entre R$ 5,44 e R$ 5,70 nas refinarias da companhia em todo o território nacional.
Impacto no setor aéreo e custos acumulados
O combustível, essencial para a operação de aviões e helicópteros, possui um peso significativo na estrutura de custos do setor, representando aproximadamente 30% das despesas operacionais das empresas aéreas brasileiras, conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A alta atual soma-se a um cenário de forte volatilidade desde o início do ano, período em que o preço do combustível já acumulou uma subida de 53,3%, o que equivale a um aumento de R$ 1,94 por litro. O histórico recente mostra oscilações bruscas:
- Abril: alta de 55%
- Maio: alta de 18%
- Junho e Julho: reduções de preço
- Agosto: alta de 1,9%
Fatores geopolíticos e logística global
A Petrobras vincula a disparada dos preços às tensões geopolíticas no Oriente Médio, especificamente ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã iniciado em 28 de fevereiro. A instabilidade no Estreito de Ormuz, região ao sul do Irã por onde transitavam 20% da produção global de óleo e gás, comprometeu a logística da indústria petrolífera e reduziu a oferta nos mercados.
Embora o Brasil seja produtor de petróleo, o QAV é tratado como commodity, o que submete seu valor às cotações internacionais. Para mitigar a volatilidade externa, a estatal utiliza uma fórmula paramétrica contratual, que funciona como um amortecedor para que os ajustes internos sejam menos agressivos que os do mercado global.
Condições comerciais e abastecimento
Para reduzir o impacto financeiro no fluxo de caixa das distribuidoras, a Petrobras retomou em setembro o programa de parcelamento, permitindo que o reajuste seja quitado em três parcelas mensais. A companhia assegurou que todo o volume de combustível solicitado pelas distribuidoras está garantido.
A Petrobras detém cerca de 85% da produção de querosene de aviação no país, operando em um mercado de livre concorrência. O fluxo de venda ocorre das refinarias (ou via importação) para as distribuidoras, que realizam o transporte e a comercialização final para as companhias de transporte e revendedores nos aeroportos. Por contrato, os preços vendidos às distribuidoras são atualizados mensalmente, todo dia 1º.