Petróleo sobe após Donald Trump rejeitar proposta de paz apresentada pelo Irã
O petróleo subiu nesta segunda-feira (11), com o Brent a US$ 103,52 e o WTI a US$ 97,51, após Donald Trump rejeitar a proposta de paz do Irã. A alta reflete a instabilidade no Estreito de Ormuz e a continuidade de conflitos na região
O petróleo registrou alta nesta segunda-feira (11) após o presidente Donald Trump rejeitar a resposta do Irã a uma proposta de paz dos Estados Unidos. O Brent, referência internacional para julho, subiu 2,69%, cotado a US$ 103,52 por barril, enquanto o West Texas Intermediate, tipo americano, avançou 2,19%, atingindo US$ 97,51.
A instabilidade nos preços reflete o temor de que o conflito, que já dura dez semanas, se prolongue e prejudique o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Antes do início das hostilidades em 28 de fevereiro, essa via era responsável pelo transporte de aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente. Atualmente, o fluxo permanece reduzido e dados da LSEG e Kpler apontam que três navios-tanque deixaram a região na semana passada com rastreadores desligados para evitar ataques iranianos.
A tensão diplomática escalou após o Irã, no domingo (10), apresentar condições para o encerramento da guerra. Teerã exige o fim dos combates em todas as frentes, com foco no Líbano — onde Israel combate militantes do Hezbollah —, além de compensações financeiras pelos danos da guerra e a manutenção de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz. O governo iraniano também solicitou a suspensão de sanções, a revogação da proibição de venda de seu petróleo, o fim do bloqueio naval e garantias contra novos ataques.
Trump descartou a proposta via redes sociais poucas horas após a divulgação. Os Estados Unidos defendem que os combates cessem antes de qualquer negociação sobre temas sensíveis, como o programa nuclear iraniano. Em resposta, Teerã classificou sua proposta como responsável e generosa, reiterando que a segurança na região e a passagem livre pelo estreito são exigências centrais.
O cenário militar permanece instável. No domingo, os Emirados Árabes Unidos interceptaram dois drones iranianos, enquanto o Kuwait reportou a interceptação de drones hostis em seu espaço aéreo. O Catar condenou um ataque com drones a um navio de carga vindo de Abu Dhabi em águas territoriais. No sul do Líbano, os confrontos entre Israel e Hezbollah continuam, apesar do cessar-fogo mediado pelos EUA em 16 de abril.
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, afirmou que a guerra não terminou, pois ainda é necessário desmantelar instalações nucleares, eliminar o urânio enriquecido iraniano e enfrentar o arsenal de mísseis balísticos e grupos aliados de Teerã. Embora considere a diplomacia o melhor caminho para remover o urânio, Netanyahu não descartou o uso da força e admitiu que as autoridades israelenses inicialmente subestimaram a capacidade do Irã de impactar o tráfego no Estreito de Ormuz.
Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian declarou que o país defenderá seus interesses nacionais com firmeza e não se curvará ao inimigo. Trump, por sua vez, afirmou no domingo que, embora tenham sido derrotados, os iranianos não foram aniquilados.
Internamente, a guerra é impopular entre os eleitores americanos devido ao aumento nos preços dos combustíveis, fator crítico a menos de seis uma semestre das eleições para o Congresso. No plano internacional, os EUA enfrentam resistência de aliados da Otan, que recusaram o envio de navios ao Estreito de Ormuz sem um mandato internacional e um acordo de paz amplo.
A agenda diplomática agora se volta para Pequim, onde Trump deve chegar na quarta-feira (13). O presidente americano pretende buscar o apoio de Xi Jinping para pressionar o Irã a aceitar um acordo com Washington, em meio à crise energética global provocada pelo conflito.