Economia

Preço do açúcar branco registra a maior valorização em nove meses e meio na última semana

01 de Julho de 2026 às 12:29

O preço do açúcar branco subiu quase 10% na última semana, atingindo o maior nível de valorização em nove meses e meio. A alta decorre do fenômeno El Niño na Ásia e de projeções da Comissão Europeia de queda de 15% na produção da União Europeia para a safra 2026/27

Preço do açúcar branco registra a maior valorização em nove meses e meio na última semana
REUTERS/Abdul Saboor/Foto de arquivo

O preço do açúcar branco registrou alta de quase 10% na última semana, alcançando na quarta-feira o maior patamar de valorização em nove meses e meio. O movimento é impulsionado pelo fenômeno El Niño na Ásia e por incertezas sobre as safras europeias, revertendo a tendência do início do ano, quando a oferta abundante havia levado os preços ao menor nível em mais de cinco anos e reduzido a rentabilidade das usinas.

A Comissão Europeia projeta que a produção de açúcar da União Europeia na safra 2026/27 seja de 14,13 milhões de toneladas métricas, o que representa um recuo de 15% comparado ao ciclo 2025/26. Essa retração é resultado de uma diminuição de 9% na área plantada e de uma queda de 6,5% na produtividade, com a França apresentando a maior redução esperada, seguida por Alemanha e Polônia.

No cenário atual, a França, principal produtora do bloco, enfrenta uma seca prolongada. A Météo France não prevê chuvas para o norte do país e para as planícies de beterraba sacarina próximas a Paris até 14 de julho. O quadro é agravado por uma onda de calor recorde que atinge a Europa há mais de uma semana, com previsão de intensificação para a próxima semana em território francês e alemão. Nos campos franceses, a situação é heterogênea, com a ocorrência de folhas secas em parte das plantações.

Além do clima, o setor agrícola francês lida com a propagação da doença do amarelecimento, causada por infestações de pulgões no início da safra. O problema remonta a 2020, quando a proibição de pesticidas neonicotinoides na União Europeia, motivada pela proteção às abelhas, fragilizou as culturas. Embora a França tenha concedido isenções temporárias em 2021 e 2022, a medida foi revogada pelo Conselho de Estado francês após decisão do tribunal superior da UE.

Atualmente, o Parlamento debate a criação de uma nova isenção por meio de emenda a um projeto de lei agrícola. A ministra da Agricultura não se opõe à medida, mas defende que a discussão ocorra de forma separada para não comprometer a aprovação do projeto de lei principal. A definição final deve ocorrer ainda este mês, porém a medida não terá impacto na safra vigente, dado que a infecção por pulgões ocorre na primavera e os sintomas se manifestam no verão.

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