Economia

Presidente do Banco Central assume responsabilidade por falhas de comunicação na última decisão do Copom

26 de Junho de 2026 às 09:04

Gabriel Galípolo admitiu falhas na comunicação da última decisão do Copom, que gerou reações negativas do mercado. O Banco Central manteve a queda da Selic para evitar custos financeiros excessivos, apesar de riscos inflacionários. O presidente do BC rejeitou a adoção de guidance para não comprometer a eficácia da política de juros

Presidente do Banco Central assume responsabilidade por falhas de comunicação na última decisão do Copom
Edilson Rodrigues/Agência Senado

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, assumiu a responsabilidade por ruídos de comunicação na última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), ocorrida na semana passada. O mercado reagiu negativamente à ata divulgada na terça-feira (23), interpretando que a autoridade monetária adotaria uma postura menos rigorosa no combate à inflação ao optar por manter o ciclo de queda da Selic, mesmo com a deterioração das perspectivas inflacionárias para os próximos anos.

A decisão de não interromper os cortes da taxa básica de juros fundamentou-se na avaliação de que tal medida causaria um aumento excessivo dos custos financeiros, desacelerando a economia além do necessário para o controle de preços a longo prazo. O Banco Central justificou a estratégia com base em boas práticas que desaconselham reações integrais a variações de preços originadas por choques de oferta, como a instabilidade provocada pela guerra no Oriente Médio.

A ata do Copom introduziu a menção de que o balanço de riscos apresenta agora uma assimetria altista, detalhe ausente no comunicado da decisão. Embora esse ponto indique uma tentativa de tom mais rígido, outros elementos do documento sugeriram a direção oposta, gerando a incompreensão mencionada por Galípolo. O presidente do BC atribuiu a falha à tentativa de condensar informações complexas em um espaço conciso no comunicado.

Durante a apresentação do Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre, Galípolo detalhou que a instituição enfrenta pressões distintas. A primeira decorre do desgaste social e político causado por juros mantidos centenas de pontos-base acima da taxa neutra. A segunda pressão manifesta-se na demanda do mercado por previsibilidade e sinalizações sobre passos futuros da política monetária.

Sobre a solicitação de *guidance*, o presidente do Banco Central afirmou que a antecipação de decisões pode comprometer a eficácia da política de juros. Ele ressaltou que a prática não é recomendada pela literatura técnica nem adotada por outros bancos centrais em cenários de incerteza, defendendo a distinção entre a clareza da comunicação e a antecipação de medidas futuras.

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