Prévia da inflação de setembro sobe 0,70% impulsionada pelo aumento na energia elétrica residencial
A prévia da inflação (IPCA-15) de setembro subiu 0,70%, elevando o acumulado de 12 meses para 4,47%. O resultado foi impulsionado pelo grupo Habitação, com alta de 2,07% devido ao aumento de 7,42% na energia elétrica residencial. Outros setores com alta foram despesas pessoais, transportes e artigos de residência

A prévia da inflação oficial de setembro registrou alta de 0,70%, o maior patamar desde abril, quando o índice foi de 0,89%. O resultado reverte a deflação de 0,40% observada em agosto e eleva o IPCA-15 acumulado em 12 meses para 4,47%, superando os 4,24% registrados no mês anterior.
O movimento de alta foi impulsionado principalmente pelo grupo Habitação, que subiu 2,07% e gerou um impacto de 0,31 ponto percentual no índice geral. O fator determinante foi o aumento de 7,42% na energia elétrica residencial, que representou, isoladamente, 0,29 p.p. da variação mensal.
Impacto do Bônus Itaipu
A aceleração nos custos de energia decorre da ausência do Bônus Itaipu em setembro. O benefício, que consiste na distribuição do saldo positivo da hidrelétrica estatal como crédito nas contas de luz, havia provocado uma queda de 6,25% nas tarifas em agosto. Com a normalização dos preços, a comparação mensal resultou em um salto estatístico.
Roberto Luis Troster, coordenador do Centro de Estudos Fipe do Endividamento das Empresas Brasileiras, aponta que, ao excluir o componente de energia elétrica, a prévia da inflação cairia de 0,70% para 0,41%.
Desempenho por setores
Além da habitação, outros grupos pressionaram o índice:
- Despesas pessoais: 0,96% (impacto de 0,10 p.p.)
- Transportes: 0,60% (impacto de 0,12 p.p.)
- Artigos de residência: 0,55% (0,02 p.p.)
- Comunicação: 0,54% (0,02 p.p.)
- Vestuário: 0,41% (0,02 p.p.)
- Alimentação e bebidas: 0,40% (0,09 p.p.)
- Saúde e cuidados pessoais: 0,13% (0,02 p.p.)
- Educação: 0,03% (0 p.p.)
No setor de transportes, a alta foi puxada pelas passagens aéreas, com variação de 9,82%. Já os combustíveis subiram 0,22%, com destaque para o gás veicular (1,56%) e a gasolina (0,30%), enquanto o óleo diesel (-0,78%) e o etanol (-0,22%) recuaram.
No grupo de alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio subiu 0,38%, revertendo a queda de 0,97% de agosto. O tomate apresentou a maior alta (20,76%), seguido pelo arroz (2,39%) e carnes (1,30%). Em contrapartida, houve redução nos preços do feijão carioca (-6,33%), cebola (-4,41%) e café moído (-1,36%).
Histórico e Metodologia
No acumulado de 2026, o IPCA-15 soma 3,82%. A trajetória mensal do ano apresenta as seguintes variações:
- Janeiro: 0,20%
- Fevereiro: 0,84%
- Março: 0,44%
- Abril: 0,89%
- Maio: 0,62%
- Junho: 0,41%
- Julho: 0,06%
- Agosto: -0,40%
- Setembro: 0,70%
Para fins de comparação, em setembro de 2025, a prévia havia sido de 0,48%.
O IPCA-15 utiliza a mesma metodologia do IPCA, focando em famílias com renda entre um e 40 salários mínimos (atualmente R$ 1.621). A diferença reside na coleta, realizada entre 15 de agosto e 15 de setembro em 11 localidades, abrangendo 367 produtos e serviços. O IPCA completo, que serve de base para a meta de inflação do governo (3% com margem de 1,5 p.p.), abrange 16 localidades e será divulgado em 9 de outubro.
O resultado de 0,70% superou a expectativa de 0,52% sinalizada pelo boletim Focus do Banco Central na última segunda-feira (21).