Produção agrícola brasileira cresce 18,2% e atinge valor de 927,2 bilhões de reais em 2025
A produção agrícola brasileira atingiu 345,4 milhões de toneladas em 2025, com valor de R$ 927,2 bilhões, segundo o IBGE. A área colhida chegou a 100,6 milhões de hectares, sendo a soja o principal produto com R$ 315,2 bilhões. O Centro-Oeste liderou a produção regional com R$ 288 bilhões

A produção agrícola brasileira atingiu 345,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2025, registrando um crescimento de 18,2% em relação ao ano anterior. O volume recupera as perdas causadas pelo fenômeno El Niño em 2024. Em termos financeiros, o valor da produção saltou 18,4%, totalizando R$ 927,2 bilhões, conforme dados da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Um marco histórico foi alcançado na extensão territorial: o Brasil superou a barreira dos 100 milhões de hectares de área colhida, chegando a 100,6 milhões. Esse avanço de 4,4% representa uma área de 1 milhão de quilômetros quadrados, dimensão superior à extensão do estado do Mato Grosso (903,2 mil km²).
Liderança da soja e expansão de commodities
A soja consolidou sua dominância ao representar 34% do valor total da produção nacional, somando R$ 315,2 bilhões. O volume colhido cresceu 14,4%, alcançando 165,2 milhões de toneladas — um incremento de 20,8 milhões de toneladas frente a 2024. A estabilidade dos preços internos foi sustentada pelo cenário externo, onde a disputa tarifária entre China e Estados Unidos elevou a demanda asiática pelo grão brasileiro.
Outro destaque foi o algodão, que tornou o Brasil o maior exportador mundial do produto. A produção atingiu 6 milhões de toneladas, alta de 16,4%, impulsionada por investimentos em eficiência produtiva e tecnologia, especialmente no Cerrado e no Mato Grosso.
No caso do café, o valor da produção disparou 44,7%, aproximando-se de R$ 100 bilhões. Embora o volume físico tenha crescido apenas 3% (3,4 milhões de toneladas) devido ao exaurimento das plantas e questões climáticas, a receita foi alavancada pela supervalorização da saca no mercado internacional.
Desempenho regional e rankings
O Centro-Oeste retomou a liderança nacional em valor de produção, invertendo o cenário de 2024. A região somou R$ 288 bilhões, com crescimento de 31,8% puxado por soja, milho e algodão, superando os R$ 271 bilhões do Sudeste, onde predominam café e cana-de-açúcar.
O Mato Grosso permaneceu como o principal estado produtor, com um valor de produção de R$ 165,6 bilhões, alta de 37,1%. A participação do estado representa 17,9% de todo o valor gerado no país.
Valor da produção por região:
- Centro-Oeste: R$ 288 bilhões
- Sudeste: R$ 271 bilhões
- Sul: R$ 181,1 bilhões
- Nordeste: R$ 113,7 bilhões
- Norte: R$ 73,4 bilhões
Principais produtos por valor de produção (2025):
| Produto | Valor (R$) |
|---|---|
| Soja | 315,2 bilhões |
| Milho | 122,1 bilhões |
| Cana-de-açúcar | 108,9 bilhões |
| Café (em grão) | 100 bilhões |
| Algodão (em caroço) | 40,6 bilhões |
| Laranja | 23,0 bilhões |
| Arroz (em casca) | 19,6 bilhões |
| Mandioca | 18,9 bilhões |
| Banana | 16,4 bilhões |
| Fumo (em folha) | 14,4 bilhões |
Estados com maior valor de produção:
- Mato Grosso: R$ 165,6 bilhões
- São Paulo: R$ 124 bilhões
- Minas Gerais: R$ 109,4 bilhões
- Paraná: R$ 87,7 bilhões
- Goiás: R$ 72,7 bilhões
- Rio Grande do Sul: R$ 71,3 bilhões
- Bahia: R$ 55,5 bilhões
- Mato Grosso do Sul: R$ 47,8 bilhões
- Pará: R$ 38,4 bilhões
- Espírito Santo: R$ 33,7 bilhões.