Produção de leite no Brasil atinge marca histórica de 36,7 bilhões de litros em 2025
A produção de leite no Brasil atingiu o recorde de 36,7 bilhões de litros em 2025, com alta de 2,7% e valor de R$ 89,5 bilhões. O volume cresceu apesar da redução de 2,7% no rebanho de vacas ordenhadas, que somou 14,7 milhões de animais. Minas Gerais liderou a produção nacional com 10,1 bilhões de litros

A produção de leite no Brasil atingiu a marca histórica de 36,7 bilhões de litros em 2025, registrando um crescimento de 2,7% em comparação ao ano anterior. O resultado consolida o terceiro ano consecutivo de expansão do setor, mesmo diante de uma redução de 2,7% no rebanho de vacas ordenhadas, que somou 14,7 milhões de animais — o menor volume desde 1979.
O valor total da produção no país foi de R$ 89,5 bilhões, alta de 2,3% em relação ao período anterior, com o preço médio do litro mantido em R$ 2,44. Desse montante produzido, 75,2% foi destinado à indústria, enquanto a parcela restante foi utilizada para consumo próprio e fabricação de queijos artesanais. Atualmente, o Brasil ocupa a sexta posição no ranking mundial de produção de leite e detém o terceiro maior rebanho de vacas ordenhadas do mundo.
Ganhos de produtividade e regionalização
O aumento da produção, concomitante à queda do rebanho, evidencia um salto na produtividade das fazendas leiteiras. Entre 2024 e 2025, a eficiência cresceu 5,6%, alcançando o recorde de 2.498,7 litros por vaca. Esse movimento é atribuído a fatores climáticos favoráveis, investimentos em melhoramento genético e a reorganização da base produtiva, que resultou na saída de produtores com menor especialização ou recursos, favorecendo aqueles com maior capacidade de investimento em tecnologia e mão de obra.
A distribuição da produção e da eficiência é desigual entre as regiões:
- Sul: Líder em produtividade (4,3 mil litros por vaca) e maior produtora nacional, com 34% do total.
- Sudeste: Segunda maior produtora (33,5%) e segunda em produtividade (2,9 mil litros por vaca).
- Nordeste: Responde por 18% da produção (1,7 mil litros por vaca).
- Centro-Oeste: Detém 9,8% da produção (2 mil litros por vaca).
- Norte: Menor participação, com 4,6% da produção (957 litros por vaca).
No recorte estadual, Minas Gerais lidera a produção nacional com 10,1 bilhões de litros. Completam o grupo dos cinco maiores produtores o Paraná (4,8 bilhões), Rio Grande do Sul (4,2 bilhões), Santa Catarina (3,4 bilhões) e Goiás (2,9 bilhões). Já no âmbito municipal, a cidade de Castro (PR) é a maior produtora do país, com 532,8 milhões de litros.
Desempenho geral da pecuária e aquicultura
O valor global da produção pecuária brasileira bateu recorde em 2025, somando R$ 141,2 bilhões, um avanço de 6,2% sobre 2024. O setor de leite de vaca foi o principal motor desse resultado, representando 63,4% do valor total.
Outros destaques do setor incluem:
- Avicultura: Recorde de 1,6 bilhão de galináceos (alta de 1,6%) e produção histórica de 5,7 bilhões de dúzias de ovos (alta de 5,7%), impulsionada pela demanda por proteínas mais acessíveis e alimentação saudável.
- Aquicultura: Produção de camarão atingiu recorde de 172,4 mil toneladas, enquanto a de peixes cresceu 7,1%, totalizando 783 mil toneladas (com a tilápia representando quase 70%).
- Outros rebanhos: Patamares máximos para caprinos (13,5 milhões) e ovinos (22,3 milhões), além de recorde na produção de mel (71,3 mil toneladas).
Retração no rebanho bovino e exportações
Diferente de outros segmentos, o número de cabeças de gado apresentou queda pelo segundo ano consecutivo, totalizando 234,3 milhões de animais, o menor nível desde 2022. A redução é reflexo do ciclo pecuário, impactado pelo abate de fêmeas em anos anteriores devido a preços atrativos da carne e custos de reposição de bezerros desfavoráveis, o que reduziu a capacidade reprodutiva do rebanho. São Félix do Xingu (PA) mantém o maior rebanho municipal, com 2,7 milhões de cabeças.
Apesar da queda no rebanho interno, as exportações de carne bovina in natura bateram recordes em 2025, com crescimento de 21,4% em volume e 42,5% em faturamento. A China consolidou-se como o principal destino, absorvendo 53,3% de tudo o que o Brasil exportou.