Economia

Produtos brasileiros podem enfrentar carga tributária de 37,5% nos Estados Unidos após propostas do governo americano

03 de Junho de 2026 às 15:05

Produtos brasileiros podem sofrer tributação total de 37,5% nos Estados Unidos devido a propostas do governo americano. As taxas de 25% e 12,5% baseiam-se em práticas comerciais e fiscalização de trabalho forçado. O governo brasileiro busca reverter as medidas por meio de negociações diplomáticas

Produtos brasileiros podem enfrentar uma carga tributária total de 37,5% nos Estados Unidos, caso as medidas propostas pelo governo americano sejam implementadas. O cálculo, analisado pelo Itamaraty, Ministério da Fazenda e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, baseia-se em duas frentes de investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

A primeira medida, detalhada em relatório divulgado na segunda-feira (1º), prevê tarifas de 25% sobre mercadorias do Brasil sob a justificativa de que o país adota práticas que restringem ou oneram o comércio com os norte-americanos. Uma segunda linha de investigação, concluída na terça-feira (2), aponta que o Brasil e outros 59 países não proibiram ou fiscalizaram adequadamente a importação de produtos fabricados com trabalho forçado, o que resultou na proposta de uma taxa adicional de 12,5%. O montante final, próximo aos 40% aplicados no ano anterior, depende da entrada em vigor dessas normas.

O tema foi discutido nesta quarta-feira (3), na França, durante reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em encontro entre o ministro Mauro Vieira e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer. Vieira defendeu a ampliação das negociações diante das recomendações do USTR, enquanto Greer manteve a abertura ao diálogo. As conversas seguem dentro do prazo de 30 dias estabelecido pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Washington.

No Palácio do Planalto, o presidente Lula manifestou discordância sobre o tratamento dispensado aos brasileiros pelos Estados Unidos e informou que enviará uma nova carta a Donald Trump para contestar as tarifas. Em reunião com ministros, o presidente orientou a defesa da soberania nacional e do PIX, sistema de pagamentos do Banco Central que foi citado pelos EUA como uma prática comercial questionável.

Lula sinalizou a possibilidade de buscar novos parceões comerciais caso as tratativas não avancem, afirmando que o Brasil venderá seus produtos para quem desejar comprar. Como reflexo da tensão, o presidente alterou sua decisão anterior e agora indica que poderá participar da Cúpula do G7, entre 15 e 17 de junho, na França.

Apesar do endurecimento do discurso presidencial e da classificação do episódio como uma crise comercial com reflexos políticos, auxiliares do governo brasileiro interpretam a manutenção dos canais de comunicação como um indício de que as tarifas podem ser revistas. A estratégia do governo é negociar as duas taxas de forma separada para tentar reverter, ao menos, uma delas.

Com informações de G1

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