Economia

Programa de Aquisição de Alimentos elevou a renda de agricultores familiares em até 30%

22 de Junho de 2026 às 15:03

Estudo do governo federal indica que o Programa de Aquisição de Alimentos elevou a renda de agricultores familiares em até 30%. Desde 2023, cerca de R$ 2 bilhões foram investidos na compra de 376,6 mil toneladas de alimentos de 140 mil produtores. A iniciativa alcançou 3.334 municípios em 2024 e beneficiou ao menos 9 milhões de pessoas

Programa de Aquisição de Alimentos elevou a renda de agricultores familiares em até 30%
© CELIA MARIA/ARQUIVO PESSOAL

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) gerou um aumento de até 30% na renda de agricultores familiares beneficiados, conforme estudo divulgado nesta segunda-feira (22) pelo governo federal. A pesquisa, desenvolvida pela Universidade Federal do ABC (UFABC) e pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), indica que a modalidade de "Compra com Doação Simultânea" elevou a renda per capita desses produtores em média R$ 50. Já no segmento de venda de leite, o acréscimo médio foi de R$ 32 por pessoa, representando uma alta de 19%.

Desde o início de 2023, o governo federal destinou aproximadamente R$ 2 bilhões para a compra de 376,6 mil toneladas de alimentos. Essa operação envolveu cerca de 140 mil agricultores familiares e beneficiou ao menos 9 milhões de pessoas, com a distribuição dos produtos para 9.310 entidades filantrópicas e redes socioassistenciais públicas.

Os dados apontam que a implementação do PAA reduziu em até 57% a probabilidade de os agricultores permanecerem no Cadastro Único, embora 75% dos produtores da modalidade de doação simultânea ainda estejam inscritos no sistema. Entre 2022 e 2024, a participação de povos indígenas no programa cresceu de 0,7% para 6%, reflexo da ampliação da prioridade para esse grupo. Em 2024, a iniciativa alcançou 3.334 municípios, abrangendo 60% das cidades brasileiras em todas as regiões do país.

Criado em 2003, o programa permite que a produção da agricultura familiar chegue gratuitamente a populações em situação de vulnerabilidade. Um exemplo desse impacto é a trajetória de Celia Maria da Silva Soares, agricultora de 66 anos que atua há duas décadas em um terreno do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

A produtora, que migrou de Piripiri para Teresina, utilizou os recursos obtidos através do programa na última década para reformar sua residência. Além de fornecer produtos orgânicos como milho, abóbora, macaxeira, maxixe, manga, tamarindo, mel e beiju ao governo, ela comercializa itens na quitanda de sua comunidade, onde compartilha a produção com os demais moradores.

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