Programa Desenrola 2.0 soma quase R$ 1 bilhão em valores renegociados desde o lançamento
O programa Desenrola 2.0 renegociou quase R$ 1 bilhão em dívidas bancárias contraídas até janeiro de 2026. A medida oferece descontos entre 30% e 90% para cidadãos com renda de até cinco salários-mínimos. Beneficiários podem utilizar até R$ 1 mil do FGTS para a quitação dos débitos
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O programa Desenrola 2.0 já soma quase R$ 1 bilhão em valores renegociados, conforme informado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, na última segunda-feira (11). A iniciativa, lançada pelo governo federal na semana anterior, é destinada a cidadãos com renda mensal de até cinco salários-mínimos (R$ 8.105) e dívidas contraídas com o sistema bancário até 31 de janeiro de 2026.
As condições do programa preveem descontos que variam entre 30% e 90% sobre o montante renegociado, com a taxa de juros limitada a 1,99% ao mês. Para a quitação total ou parcial dos débitos, os trabalhadores podem utilizar até R$ 1 mil, correspondente a 20% do saldo de suas contas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Levantamento da Quaest, encomendado pela Genial Investimentos e divulgado nesta quarta-feira (13), indica que 65% dos brasileiros acreditam que a medida auxiliará a população a superar o endividamento, sendo que 38% avaliam que a ajuda será significativa e 27% consideram que será parcial. Outros 33% não acreditam na eficácia do programa, enquanto 2% não souberam responder. Na mesma linha, 50% dos entrevistados classificam o Desenrola 2.0 como uma boa ideia por permitir a saída do "vermelho", 22% veem a medida como parcialmente útil e 23% a consideram negativa por estimular novas dívidas.
A pesquisa revela que 57% da população já conhecia o programa, ao passo que 43% tomaram ciência da iniciativa recentemente. O cenário de endividamento no país é crítico: em março, 80,4% dos brasileiros estavam endividados, o maior índice da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Dados do Banco Central reforçam que quase metade da renda mensal dos cidadãos está comprometida com financiamentos, empréstimos e cartões de crédito, aproximando o nível de endividamento do sistema financeiro aos patamares de 2022.
Sobre a proposta de restringir apostas online para beneficiários do programa, 79% dos entrevistados manifestaram apoio à proibição, contra 16% de oposição. O diretor da Quaest, Felipe Nunes, associa o endividamento ao vício em jogos digitais, especialmente entre homens. Dados qualitativos mostram que 46% dos inadimplentes, incluindo negativados, realizam apostas; desse grupo, 29% iniciaram a prática para quitar contas e 27% visavam obter renda extra.
O estudo ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.