Programa Implementa Sociobio prevê destinar 5 bilhões de reais em crédito para a sociobioeconomia até 2030
A sociobioeconomia brasileira cresce via políticas públicas e investimentos privados, mas enfrenta dificuldades no acesso ao crédito para produtores comunitários. Para mitigar esse gargalo, o Programa Implementa Sociobio prevê destinar R$ 5 bilhões em financiamentos até 2030

A sociobioeconomia tem ampliado sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, impulsionada pela combinação de políticas públicas e o interesse do setor privado. Esse modelo de desenvolvimento, focado na produção sustentável de bens e serviços em territórios coletivos — como terras indígenas e quilombolas —, abrange atividades de restauração, plantio de alimentos e agrofloresta.
A expansão do setor é atribuída à integração da sociobiodiversidade em iniciativas governamentais, a exemplo do Plano de Transformação Ecológica e de instrumentos de finanças verdes, como o Ecoinvest. Para a diretora executiva da Conexsus, Fabíola Zerbini, o fortalecimento dessa área é estratégico para o Brasil, pois converge agendas de conservação, justiça social, economia e metas climáticas.
Apesar do crescimento e da organização em associações e cooperativas, o acesso ao crédito permanece como o principal gargalo para os produtores. Zerbini aponta que a maioria das subvenções, subsídios e políticas de fomento não foi desenhada para atender negócios comunitários.
Essa dificuldade é ilustrada pelo caso da Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com Base na Economia Solidária (COPABASE), em Arinos, Minas Gerais. Com 165 cooperados focados em polpas de frutas e produtos do Cerrado, a entidade levou mais de dez anos para conseguir sua primeira linha de crédito. Segundo a assistente técnica Anny Caroliny Rocha, o recurso para capital de giro permitiu o beneficiamento da semente de baru, tornando a árvore mais rentável em pé do que como madeira para construção.
Cenário semelhante ocorreu com a Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha (Aspacs), em Lábrea, Amazonas. A organização gera renda para mais de 1,5 mil famílias através de óleos de andiroba e copaíba, além de manteigas de tucumã e murumuru. A presidente da Aspacs, Marcikely Ferreira, relatou a necessidade de apoio da Conexsus para viabilizar financiamentos que permitissem a contratação de colaboradores durante os períodos de produção.
Para reverter a escassez de recursos e atrair investidores interessados em conciliar conservação ambiental e inclusão produtiva, a Conexsus firmou parceria com o Banco do Brasil e o Instituto Clima e Sociedade (iCS). A iniciativa, denominada Programa Implementa Sociobio, tem a meta de direcionar R$ 5 bilhões em crédito para produtores da sociobioeconomia até 2030. José Ricardo Sasseron, vice-presidente de Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil, afirma que o programa visa ampliar a assistência técnica, o acesso a mercados e instrumentos financeiros para fortalecer as cadeias sustentáveis.
A viabilização da floresta como economia real e competitiva impacta a gestão de riscos do país. De acordo com Zerbini, o apoio a esse modelo de uso da terra reduz custos futuros ao mitigar riscos climáticos e prover serviços ecossistêmicos, como a captura de gases de efeito estufa e a prevenção de crises hídricas ou inundações urbanas.