Economia

Projeto mapeia competências no Nordeste para viabilizar a transição para a economia de baixo carbono

16 de Agosto de 2026 às 16:35

O Instituto Clima e Sociedade e o CESAR lançaram o projeto Futuros Verdes no Nordeste para mapear setores produtivos e competências voltadas à economia de baixo carbono. A iniciativa visa criar diretrizes estratégicas e identificar lacunas de formação profissional nos nove estados da região

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Projeto mapeia competências no Nordeste para viabilizar a transição para a economia de baixo carbono
© ARI VERSIANI/PAC

O Instituto Clima e Sociedade (iCS) e o Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR) iniciaram o projeto Futuros Verdes no Nordeste, que percorre os nove estados da região para mapear competências e setores produtivos capazes de viabilizar a transição para uma economia de baixo carbono. A iniciativa busca converter o conhecimento sobre sustentabilidade em diretrizes estratégicas, considerando as particularidades territoriais e a necessidade de capacitação profissional para as novas exigências do mercado.

Potencial energético e riscos ambientais

O Nordeste concentra indicadores econômicos expressivos em energias limpas, sendo responsável por 92% da produção de energia eólica do Brasil e abrigando cinco das dez maiores usinas solares do país. O turismo também se consolida como uma fonte relevante de receita para a região.

Contudo, esse potencial coexiste com vulnerabilidades climáticas críticas. Dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) apontam a caatinga como um dos biomas globais mais ameaçados pela desertificação. Além disso, o Mapbiomas indica que, em 2025, três dos cinco estados com maiores índices de desmatamento no Brasil estão no Nordeste: Bahia, Piauí e Maranhão. A elevação do nível do mar também ameaça a infraestrutura urbana, com quatro das sete cidades brasileiras mais vulneráveis localizadas na região: Recife, Salvador, Fortaleza e São Luís.

Desafios para o desenvolvimento sustentável

A transformação de potencialidades em crescimento econômico real depende de fatores estruturais. Mário Cardoso, gerente de Recursos Naturais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destaca que a região possui vocação para a bioeconomia, biomassa e energias renováveis, como o etanol. Entretanto, a viabilização desses setores exige infraestrutura de transmissão, regulação adequada, viabilidade técnica e demanda de mercado.

O executivo alerta que a ausência de processos sustentáveis pode resultar em perda de competitividade, especialmente diante de exigências ambientais de blocos econômicos como a União Europeia. Há ainda o risco de que a degradação ambiental, como o desmatamento, elimine oportunidades de cadeias produtivas antes mesmo de sua implementação, citando o exemplo do açaí como um produto que precisa de consolidação nacional para evitar a dependência de importações.

Qualificação e empregos verdes

A transição produtiva demanda a atualização da formação profissional. Nicolis Amaral, engenheira de descarbonização do iCS, argumenta que as grades curriculares acadêmicas ainda são rígidas e, muitas vezes, focadas em modelos antigos, como a indústria do petróleo, em detrimento da economia verde.

O projeto foca, portanto, na identificação de lacunas de formação para que a mão de obra local possa absorver os investimentos e projetos de descarbonização, transformando a demanda de mercado em empregabilidade e desenvolvimento regional.

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