Promessas de campanha de Lula e Flávio Bolsonaro aumentam a pressão sobre as contas públicas
Promessas de campanha de Lula e Flávio Bolsonaro pressionam as contas públicas, com gastos estimados em mais de R$ 283 bilhões para as medidas do petista. O reajuste do Bolsa Família deve custar R$ 23,2 bilhões no primeiro ano, enquanto o candidato do PL propõe o "Vira Pix" e a retomada do Perse
As promessas de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) elevam a pressão sobre as contas públicas, tornando o ajuste fiscal inevitável para a próxima gestão. O cenário impõe ao vencedor a necessidade de captar novos recursos ou revisar compromissos para evitar o desequilíbrio orçamentário.
Impactos fiscais e orçamentários
As medidas anunciadas pelo presidente Lula podem gerar um impacto fiscal e financeiro superior a R$ 283 bilhões. Embora a equipe econômica afirme que a maior parte dessas ações não terá efeito imediato e será compensada no Orçamento da União de 2027, o aumento do Bolsa Família apresenta um custo imediato.
Uma consultoria especializada estima que o reajuste do programa custará mais de R$ 23,2 bilhões no primeiro ano do mandato, valor que supera a projeção de R$ 22,7 bilhões feita pelo Ministério do Planejamento para 2027.
Paralelamente, Flávio Bolsonaro propôs a criação do "Vira Pix", que prevê a devolução de parte dos valores pagos por contribuintes em suas contas, embora não tenha especificado a origem da verba. O candidato do PL também planeja retomar o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), iniciativa desativada pela gestão atual devido a desvios de finalidade e custos elevados.
Projeções para 2027 e riscos econômicos
A pressão fiscal para 2027 é acentuada por divergências nas projeções de resultado primário:
- Governo Federal: Meta de superávit de R$ 73,2 bilhões (0,5% do PIB), com projeção interna menor, de R$ 18,6 bilhões.
- Instituição Fiscal Independente (IFI): Estimativa de déficit de R$ 86,1 bilhões, cálculo realizado antes do anúncio do reajuste do Bolsa Família.
- Warren Investimentos: Felipe Salto, economista-chefe da instituição, indica que o impacto das promessas eleitorais pode chegar a quase R$ 48 bilhões já no próximo ano.
A ausência de cortes de despesas, especialmente em investimentos, pode comprometer a manutenção da máquina pública e levar à paralisação de programas governamentais. A falta de um ajuste rigoroso no início do mandato poderá resultar na manutenção de juros elevados para o controle da inflação.