Economia

Queda no preço da gasolina foi o principal fator para a redução da inflação em maio

12 de Junho de 2026 às 18:05

O IPCA de maio fechou em 0,58%, com a gasolina registrando recuo de 1,46% e o etanol queda de 6,2%. O óleo diesel recuou 2,34% e o grupo de transportes teve deflação média de 0,46%, enquanto os alimentos subiram 1,33%

Queda no preço da gasolina foi o principal fator para a redução da inflação em maio
© ROVENA ROSA/AGÊNCIA BRASIL

A gasolina foi o item que mais contribuiu para a queda da inflação oficial em maio, registrando um recuo de 1,46%. O resultado integra o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês, que fechou em 0,58%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (12).

A redução do preço nos postos é reflexo da concorrência com o etanol, que teve queda de 6,2% no mesmo período, posicionando-se como o segundo produto com maior impacto negativo no índice. A maior disponibilidade de etanol no mercado ocorreu porque a produção de cana-de-açúcar foi direcionada prioritariamente para o combustível em vez do açúcar, devido à maior rentabilidade. Como a frota brasileira é predominantemente flex, a queda no preço do etanol forçou a redução do valor da gasolina.

Outro fator determinante foi a política de subvenção do governo federal, que consiste em um reembolso de R$ 0,44 por litro pago a produtores e importadores para evitar choques de preços ao consumidor. Esse mecanismo funciona como a devolução de tributos federais, como Cide, PIS e Cofins. A medida mitigou o impacto de um reajuste de R$ 0,48 anunciado pela Petrobras, resultando em um repasse de apenas R$ 0,04 ao consumidor final.

O óleo diesel também foi beneficiado pela subvenção, com pagamentos de R$ 1,52 por litro para importadores e R$ 1,12 para produtores em maio. O combustível, essencial para ônibus e caminhões, recuou 2,34%, sendo o quarto item que mais puxou a inflação para baixo. O movimento reverteu altas expressivas ocorridas após o início do conflito no Oriente Médio em 28 de fevereiro, que elevaram o diesel em 13,9% em março e 4,46% em abril.

O cenário global de instabilidade, iniciado no fim de fevereiro com a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, desestruturou a cadeia logística internacional. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transitava 20% da produção mundial de petróleo e gás, reduziu a oferta global. Isso elevou o barril do Brent de US$ 70 para picos de US$ 120. O Brasil, embora produtor, sentiu a alta por ser o petróleo uma commodity e por importar cerca de 30% do diesel consumido.

No âmbito setorial, o grupo de transportes foi o único dos nove pesquisados pelo IBGE a apresentar deflação em maio, com queda média de 0,46%. No entanto, o custo do frete continuou impactando a economia, contribuindo para que o grupo de alimentos subisse 1,33%, a maior alta do IPCA do mês, com impacto de 0,29 ponto percentual.

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