Economia

Roupas na Argentina chegam a custar 95% a mais do que no Brasil

11 de Maio de 2026 às 06:06

Preços de vestuário na Argentina superam os do Brasil em até 95%, resultando na queda de 38% nas vendas de marcas locais e no fechamento de 1.600 lojas. O governo Javier Milei reduziu tarifas de importação de 35% para 20% e extinguiu licenças não automáticas para aumentar a concorrência. A produção têxtil nacional recuou 15% no último ano

Roupas na Argentina chegam a custar 95% a mais do que no Brasil
Getty Images via BBC

A Argentina apresenta atualmente os preços de vestuário mais elevados da região, com camisetas de marcas internacionais chegando a custar 95% a mais do que no Brasil. Esse cenário impulsiona o fluxo de consumidores argentinos para centros de compras em Miami e Santiago, no Chile, em busca de custos reduzidos.

A composição do preço final ao consumidor no país é fortemente impactada pela carga tributária, que representa mais da metade do valor de uma peça produzida localmente. Entre os encargos, destacam-se o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) de 21%, o imposto sobre movimentações bancárias de 1,2% e a taxa de 1,8% para pagamentos via cartão. Adicionalmente, o parcelamento, utilizado em quase 90% das compras de roupas, acrescenta cerca de 15% em custos financeiros.

Essa estrutura torna o produto nacional entre 25% e 30% mais caro do que se fosse vendido no Chile. Como consequência, as vendas de marcas argentinas recuaram 38% nos últimos 18 meses, resultando no fechamento de mais de 1.600 lojas e na perda de 10 mil postos de trabalho formais em um setor que emprega aproximadamente 300 mil pessoas.

Para combater esses preços e ampliar a concorrência, o governo de Javier Milei reduziu as tarifas de importação de roupas e calçados de 35% para 20%. A gestão atual também extinguiu as licenças não automáticas de importação — barreiras que exigiam autorizações discricionárias para a entrada de produtos estrangeiros — e liberou compras internacionais via courier, facilitando o acesso a plataformas como Shein e Temu.

Apesar da abertura comercial, a indústria têxtil local relata perdas de competitividade. No último ano, a produção de roupas caiu 15% e os preços subiram 15%, valor inferior à inflação acumulada de 33% registrada até fevereiro de 2026.

Enquanto o setor produtivo defende a redução de impostos e a proteção cambial, o governo argumenta que a falta de competitividade frente a produtos chineses decorre da ausência de inovação e design, citando o modelo italiano como referência. O governo nega a perda líquida de empregos, classificando o movimento como uma realocação da força de trabalho para setores mais eficientes da economia.

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