Setor de Máquinas e Equipamentos Registra Queda de 17% na Receita Líquida no Início do Ano
O setor de máquinas e equipamentos registrou queda na receita líquida total no início do ano, com R$ 17,3 bilhões. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos atribui a retração às vendas para o mercado doméstico e externo. As exportações também registraram queda em janeiro, mas continuam altas desde 2015
O setor de máquinas e equipamentos iniciou 2026 com um tom desanimador, após registrar crescimento moderado ao final do ano passado. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a política monetária é o principal responsável pela redução no ritmo de crescimento.
A receita líquida total do setor em janeiro foi de R$ 17,3 bilhões, representando uma queda de 17% na comparação com janeiro de 2025 e de 19,3% em relação a dezembro. A Abimaq atribui essa retração às vendas para o mercado doméstico e externo.
As exportações de máquinas e equipamentos somaram US$ 838 milhões em janeiro, com uma queda de 41,5% em comparação com dezembro, mas um crescimento de 3,1% em relação a janeiro do ano passado. A associação explica que essa retração mensal é influenciada por fatores sazonais e pela base elevada de comparação.
As importações também registraram uma queda em janeiro, alcançando US$ 2,48 bilhões. No entanto, a Abimaq destaca que elas continuam em patamares altos desde pelo menos 2015 e se intensificaram durante a pandemia da covid-19.
O setor de máquinas foi um dos mais afetados pela aplicação de tarifas de 50% pelos EUA, principal destino desses produtos no exterior. Apesar disso, o impacto acabou sendo menor do que inicialmente previsto pelas empresas brasileiras.
"A medida tomada pelo governo Trump impactou bem menos do que a gente previa", avaliou Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq. "A gente esperava uma queda brutal nas vendas para aquele mercado, mas diversas empresas conseguiram se organizar e preservar o importante mercado dos EUA".
O setor está agora cauteloso em relação ao futuro, após a decisão da Suprema Corte ter derrubado as tarifas impostas globalmente pelo presidente Donald Trump. "Com relação ao futuro e com a reversão da medida, a gente espera conseguir reconquistar uma parte do mercado que foi perdido", disse Bastos.
Em janeiro, o setor apresentou melhora no número de pessoas empregadas, alcançando 418,9 mil colaboradores. Na comparação com janeiro de 2025, isso representou um acréscimo de 18 mil pessoas. No entanto, a Abimaq pondera que esse número é inferior em 2% ao registrado em outubro do ano passado.
Para este ano de 2026, a associação projeta um crescimento de 3,5% na produção física de máquinas e equipamentos e de cerca de 4% na receita líquida. O avanço será sustentado pelo mercado doméstico, com expectativa de expansão da demanda próxima de 5,6%.
"A gente está achando que em 2026 vamos ter uma retração nas vendas em relação a 2025", disse Bastos. "De quanto vai ser ainda é cedo para falar, mas talvez alguma coisa em torno de 5% seja bastante razoável.