SpaceX capta US$ 75 bilhões no mercado financeiro para impulsionar projetos de inteligência artificial e infraestrutura
A SpaceX captou US$ 75 bilhões via IPO para investir em inteligência artificial, infraestrutura orbital e redes de comunicação. Em 2025, a empresa realizou 170 dos 181 lançamentos orbitais dos Estados Unidos. A rede Starlink detinha cerca de 10 mil dos 14,1 mil satélites ativos no planeta ao fim do ano passado
A SpaceX captou US$ 75 bilhões (R$ 382,6 bilhões) via Wall Street para impulsionar projetos de inteligência artificial, infraestrutura orbital e redes globais de comunicação. O movimento, consolidado por meio de sua abertura de capital (IPO), marca a transição do modelo de financiamento espacial nos Estados Unidos, que agora combina o orçamento público com a captação de recursos no mercado financeiro.
Enquanto a SpaceX se torna a principal vitrine desse sistema híbrido, a China mantém a exploração espacial sob controle estatal, com metas definidas pelo governo e investimentos públicos de longo prazo. Essa divergência de modelos reflete a disputa geopolítica entre as duas maiores economias do mundo por liderança em áreas estratégicas.
No campo dos lançamentos orbitais, os Estados Unidos mantêm a liderança. Em 2025, o país realizou 181 missões, volume quase duas vezes superior aos 92 lançamentos efetuados pela China. A SpaceX, sozinha, foi responsável por 170 dessas operações, superando a marca de qualquer nação.
A vantagem americana é ainda mais expressiva na órbita terrestre e no controle de redes de comunicação. Ao final do ano passado, a rede Starlink detinha cerca de dois terços de todos os satélites ativos do planeta, somando aproximadamente 10 mil dos 14,1 mil equipamentos em operação. Em 2025, os EUA colocaram em órbita 3,4 mil satélites de comunicação de grande porte, sendo 3.267 destinados à constelação da SpaceX, enquanto a China lançou 195 unidades da mesma categoria.
Para contrapor essa hegemonia, Pequim investe em dois projetos principais: a constelação estatal Guowang, com previsão de 13 mil satélites, e a iniciativa comercial Qianfan, que planeja reunir mais de 1.296 unidades. A estratégia chinesa utiliza a capacidade industrial e preços subsidiados, além da rede diplomática do projeto Cinturão e Rota, que abrange mais de 150 países na Ásia, África e América Latina. Contudo, a expansão comercial chinesa enfrenta barreiras em mercados ocidentais devido a regras de exportação e restrições geopolíticas impostas por aliados dos EUA.
Paralelamente ao mercado financeiro, o governo americano segue aportando recursos via Nasa. Para 2026, o Congresso dos EUA destinou US$ 24,4 bilhões (R$ 124,5 bilhões) à agência, o que representa 0,35% dos gastos federais. Esses fundos financiam programas internos e contratos com empresas privadas, como Boeing, Lockheed Martin e Northrop Grumman, que atuaram no desenvolvimento de sistemas para a missão Artemis II.
A escala de capital exigida por projetos como o Starship, centros de processamento de dados em órbita e infraestrutura lunar justifica a busca por investimentos privados, dada a complexidade de sustentar tais iniciativas apenas com verbas governamentais. A posição estratégica da SpaceX é reforçada pela atuação de Elon Musk na gestão de Donald Trump, onde liderou o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE).