SpaceX registra a maior oferta pública inicial da história e torna-se a sexta maior empresa do mundo
A SpaceX realizou a maior oferta pública inicial da história, atingindo capitalização de 2,1 trilhões de dólares e fechando o primeiro dia de negociações a 161,11 dólares por ação. O capital financiará a expansão de infraestrutura espacial, incluindo a meta de colocar um milhão de satélites em órbita e construir uma fábrica na Lua
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A SpaceX registrou a maior oferta pública inicial (IPO) da história na última segunda-feira, atingindo uma capitalização de mercado de 2,1 trilhões de dólares, o que a posiciona como a sexta maior empresa do mundo. As ações iniciaram as negociações a 150 dólares, valor 11% superior ao preço de emissão de 135 dólares, e encerraram o primeiro dia cotadas a 161,11 dólares, acumulando uma alta de 19,34%. A operação financeira atraiu uma demanda de 350 bilhões de dólares.
O aporte de capital visa financiar a expansão de infraestrutura espacial, incluindo a implementação de um milhão de satélites em órbita, a construção de uma fábrica na Lua e a criação de centros de dados orbitais para suporte à inteligência artificial. O projeto prevê a geração de 100 gigawatts de energia, utilizando servidores fabricados no satélite lunar e transportados via lançador eletromagnético. Atualmente, a Starlink detém 66% do hardware operacional em órbita terrestre, com mais de 10 mil satélites ativos, mas a companhia planeja expandir esse número para um intervalo entre 34 mil e 75 mil unidades. Em janeiro, a empresa solicitou à Comissão Federal de Comunicações a autorização para o lançamento de um milhão de unidades adicionais para a rede de dados.
A viabilidade técnica desses planos é questionada por Avi Loeb, astrofísico de Harvard, que classifica a fábrica lunar como uma fantasia especulativa que levaria décadas para ser concretizada. Paralelamente, a expansão gera impactos ambientais e astronômicos imediatos. A poluição luminosa orbital já elevou o brilho noturno do céu em 10% acima do nível natural, comprometendo 10% dos dados de observação de instituições como a ONU e a Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos. O Observatório Vera Rubin, entre outros telescópios de rastreio, é prejudicado pelo brilho dos satélites, que permanecem visíveis mesmo após a aplicação de revestimentos escuros e filmes de espelho dielétrico.
Com a projeção de um milhão de satélites, a quantidade de objetos artificiais visíveis a olho nu superaria a de estrelas naturais, eliminando a possibilidade de observar céus limpos em qualquer região do planeta. Robert Massey, da Real Sociedade Astronômica britânica, afirma que tal volume de lançamentos destruiria o patrimônio humano representado pelas estrelas.
A gestão de resíduos orbitais também apresenta riscos críticos. Cada satélite Starlink tem vida útil de cinco anos. Em uma constelação de 30 mil unidades, mesmo com 99% de sucesso na desorbitação, 300 satélites defeituosos de centenas de quilos seriam adicionados à órbita a cada cinco anos. Em 17 de dezembro de 2025, um satélite com falha espalhou fragmentos na exosfera, forçando a estação espacial chinesa Tiangong a realizar duas manobras de emergência. No mesmo ano, um fragmento danificou a janela da cápsula Shenzhou-20, atrasando o retorno de três astronautas. A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos alertou, em 2023, que a queda de detritos pode causar vítimas civis até 2035.
O aumento da densidade de objetos em órbita baixa eleva a probabilidade da "síndrome de Kessler", onde colisões iniciais geram detritos que provocam novas colisões em cadeia. Para mitigar esse risco, o estudo europeu ASCEND sugere que centros de dados orbitais sejam limitados a mil unidades a 1.400 quilômetros de altitude.
Há ainda impactos atmosféricos. A reentrada e incineração dos satélites liberam óxido de alumínio, partícula que destrói a camada de ozono. Na última década, a concentração de metais artificiais na atmosfera duplicou devido às megaconstelações. Materiais como cobre e titânio, cujos efeitos na reentrada não foram estudados, podem alterar o equilíbrio térmico global ou criar nuvens artificiais. Em 2021, a SpaceX contestou judicialmente tais conclusões em processo contra a Viasat.