SpaceX vincula remuneração de Elon Musk à colonização de Marte e valor de mercado de US$ 7,5 trilhões
O conselho da SpaceX aprovou a entrega de até 200 milhões de ações Classe B e 60,4 milhões de ações restritas a Elon Musk. A remuneração depende da colonização de Marte por 1 milhão de pessoas, da criação de data centers espaciais de 100 terawatts e do valor de mercado de US$ 7,5 trilhões
O conselho da SpaceX aprovou um pacote de remuneração para Elon Musk que vincula a liberação de até 200 milhões de ações Classe B ao alcance de metas sem precedentes: a colonização de Marte com ao menos 1 milhão de pessoas e a valorização de mercado da companhia em US$ 7,5 trilhões. O registro confidencial, entregue à Securities and Exchange Commission (SEC) e revelado em 28 de abril de 2026, detalha que as ações Classe B possuem poder de 10 votos contra apenas um das ações Classe A, o que consolidaria o controle decisório de Musk sobre a empresa caso as condições sejam atingidas.
Além do objetivo marciano, um segundo componente do plano, concedido em 23 de março de 2026, prevê a entrega de até 60,4 milhões de ações restritas. Esta etapa está condicionada a metas de valor de mercado e à implementação de data centers espaciais com capacidade de 100 terawatts — potência equivalente a 100 mil reatores nucleares de 1 gigawatt operando simultaneamente. A escala é superior à capacidade elétrica instalada em todo o planeta, que é de aproximadamente 30 terawatts.
O pacote não possui prazo de validade, e Musk mantém o direito às ações desde que não deixe a empresa antes do cumprimento das metas. Essa estrutura de governança é analisada por Eric Hoffmann, diretor de dados da Farient Advisors, que destaca a inexistência de precedentes históricos para tais exigências e aponta que SpaceX e Tesla competem pela dedicação do executivo.
A revelação ocorre enquanto a SpaceX prepara sua abertura de capital. Com pedido de IPO arquivado confidencialmente em 1º de abril de 2026 e previsão de oferta pública para junho, a empresa possui valuation estimado em US$ 1,75 trilhão. Para atingir a meta de US$ 7,5 trilhões prevista no bônus, a companhia precisaria quadruplicar seu valor após a entrada na bolsa, patamar nunca alcançado por qualquer corporação global.
Atualmente, Musk detém um patrimônio estimado em US$ 776 bilhões, embora receba um salário fixo simbólico de US$ 54.080 anuais da SpaceX desde 2019. Em 31 de dezembro de 2025, ele já possuía 68,8 milhões de opções de ações Classe B com preço de exercício de US$ 42 e vencimento em 2031. Somadas à participação de 20% na Tesla e ao novo pacote, essas posições poderiam mais que dobrar sua fortuna.
O conselho que validou a remuneração é presidido pelo próprio Musk e conta com a presença de Antonio Gracias, amigo próximo do bilionário. Embora a prática seja legal para empresas privadas nos Estados Unidos, a iminência do IPO pode exigir ajustes de transparência impostos pela SEC.
No campo técnico, as metas enfrentam barreiras significativas. O foguete Starship segue em desenvolvimento e ainda não realizou missões tripuladas. O próprio Musk indicou recentemente que a construção de uma cidade autossustentável na Lua seria um passo intermediário, estimando que a Lua levaria menos de dez anos, enquanto Marte exigiria mais de duas décadas. Especialistas aeroespaciais consideram a meta de 1 milhão de colonos inalcançável dentro de um horizonte de vida produtiva.