Tesouro Nacional registra em agosto o melhor déficit primário para o mês desde 2021
O Tesouro Nacional registrou um déficit primário de R$ 13,58 bilhões em agosto, melhor resultado para o mês desde 2021. As receitas líquidas somaram R$ 187,9 bilhões, enquanto as despesas totalizaram R$ 201,5 bilhões. No acumulado de janeiro a agosto, o saldo negativo é de R$ 94,9 bilhões
O Tesouro Nacional informou que as contas públicas fecharam agosto com um déficit primário de R$ 13,58 bilhões. O resultado representa uma melhora em relação aos R$ 16,2 bilhões negativos registrados no mesmo mês do ano anterior, após a correção inflacionária. Este é o melhor desempenho para o mês de agosto desde 2021, quando o saldo negativo foi de R$ 11,8 bilhões.
A redução do déficit foi impulsionada por receitas que cresceram em ritmo superior aos gastos. As receitas líquidas do governo, já descontadas as transferências, atingiram R$ 187,9 bilhões em agosto, com uma alta real de 3,5%. Esse incremento é atribuído à expansão da economia brasileira, à alta do petróleo e ao aumento de impostos implementado na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Composição de gastos e arrecadação
No mesmo período, as despesas do governo somaram R$ 201,5 bilhões, registrando um aumento real de 1,9%. O crescimento dos gastos foi concentrado nos seguintes pontos:
- Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC): +R$ 4,9 bilhões;
- Benefícios Previdenciários: +R$ 2,7 bilhões;
- Abono e Seguro-Desemprego: +R$ 2,4 bilhões;
- Créditos Extraordinários: +R$ 1,3 bilhão, destinados a ações relacionadas aos conflitos no Oriente Médio.
Acumulado do ano e metas fiscais
No balanço dos oito primeiros meses deste ano, o resultado primário acumulado é de R$ 94,9 bilhões em déficit. O número indica uma deterioração frente ao superávit de R$ 87,5 bilhões registrado no mesmo intervalo do ano passado. Este é o pior desempenho para o período desde 2024, quando o déficit foi de R$ 107,1 bilhões.
Entre janeiro e agosto, a receita líquida totalizou R$ 1,67 trilhão (valor nominal), com alta real de 5,7%. Paralelamente, as despesas totais somaram R$ 1,75 trilhão, também com crescimento real de 5,7%.
Para o fechamento do ano, a meta central é de um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o que equivale a R$ 34,3 bilhões. Contudo, o arcabouço fiscal estabelece uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, permitindo que a meta seja atingida com saldo zero ou superávit de R$ 68,6 bilhões.
A legislação também autoriza a exclusão de R$ 67,3 bilhões em despesas do cálculo, como no caso de pagamentos de precatórios. Considerando a banda de tolerância e esses abatimentos, a projeção oficial é que as contas terminem o ano com um déficit de R$ 67,3 bilhões. Caso a tendência se mantenha, as contas públicas permanecerão negativas durante todo o terceiro mandato presidencial de Lula.