Economia

Trabalhadores com deficiência recebem em média 70% do salário de pessoas sem deficiência no Brasil

22 de Setembro de 2026 às 07:13 2 min de leitura

Dados do Censo 2022 do IBGE indicam que trabalhadores com deficiência recebem média de R$ 2.053, enquanto pessoas sem deficiência ganham R$ 2.890. A taxa de ocupação desse grupo é de 29%, totalizando 3,97 milhões de pessoas empregadas

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Trabalhadores com deficiência recebem em média 70% do salário de pessoas sem deficiência no Brasil
© PAULO PINTO/AGÊNCIA BRASIL

Trabalhadores com deficiência no Brasil recebem, em média, R$ 2.053, valor que corresponde a aproximadamente 70% dos R$ 2.890 auferidos por pessoas sem deficiência. Os dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (18), indicam que a disparidade salarial persiste em todos os setores da economia, com a população com deficiência concentrada em atividades de menor remuneração, como agropecuária, serviços domésticos e alojamento e alimentação.

Composição da renda domiciliar

A dependência de fontes de renda alternativas é significativamente maior em residências que possuem moradores com deficiência. Nesses domicílios, a renda do trabalho representa 55,7% do rendimento total, enquanto 44,3% provêm de outras origens. Em contrapartida, nos lares sem pessoas com deficiência, o trabalho responde por 78,4% da renda, restando 21,6% para outras fontes.

Taxas de ocupação e limitações

O nível de ocupação de pessoas com deficiência é de 29%, o que significa que apenas três em cada dez indivíduos em idade ativa estão empregados. O índice é quase a metade da taxa registrada para pessoas sem deficiência, que é de 55,8%. Do total de 13,71 milhões de pessoas com deficiência em idade de trabalhar, apenas 3,97 milhões estão ocupadas.

A inserção no mercado varia conforme a natureza da limitação:

  • Dificuldades mentais: menor nível de ocupação (12,9%);
  • Múltiplas dificuldades: 15,6%;
  • Dificuldade de caminhar ou subir degraus: 17,2%;
  • Dificuldade de pegar objetos pequenos: 17,7%;
  • Dificuldade de ouvir: 27,5%;
  • Dificuldade de enxergar: maior índice de ocupação (35,9%).

Recorte de raça e gênero

Entre a população com deficiência, os índices de ocupação são superiores entre pretos e pardos em comparação aos brancos, independentemente do sexo. Homens pretos ou pardos registram 36% de ocupação, contra 34,6% dos homens brancos. Entre as mulheres, o índice é de 25,6% para pretas ou pardas e 22,7% para brancas. Esse cenário inverte-se no grupo de pessoas sem deficiência, onde a taxa de ocupação é maior entre a população branca.

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