Trabalhadores solicitam R$ 3,88 bilhões do FGTS para quitar dívidas no programa Desenrola 2.0
Cerca de 3,3 milhões de trabalhadores pediram R$ 3,88 bilhões do FGTS para quitar dívidas no Desenrola 2.0. O Ministério do Trabalho aprovou R$ 10 milhões em 17,1 mil operações até 12 de junho. A projeção de liberação total de recursos é de R$ 8,2 bilhões
Cerca de 3,3 milhões de trabalhadores solicitaram a utilização de R$ 3,88 bilhões de suas contas vinculadas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para a liquidação de débitos no Desenrola 2.0. Desse grupo, 94,3% utilizam a modalidade de saque-aniversário e 86,9% possuem antecipações de recursos ativas.
Até 12 de junho, o Ministério do Trabalho confirmou a aprovação de R$ 10 milhões, abrangendo 17,1 mil operações, com repasse previsto aos bancos credores para o dia 25 de junho. Os demais pedidos seguem em análise pela Caixa Econômica Federal, que abriu o prazo para requerimentos em 25 de maio.
As normas do programa permitem o uso de até 20% do saldo disponível do FGTS ou o valor de R$ 1 mil, prevalecendo a quantia maior. A projeção é que o montante total liberado aos trabalhadores chegue a R$ 8,2 bilhões. Para assegurar a finalidade do recurso, a Caixa transfere os valores diretamente à instituição financeira onde a dívida está registrada.
O processo inicia com a consulta do saldo e a autorização do trabalhador para que o banco credor busque o valor disponível. Após a negociação do desconto na própria instituição, os bancos têm até 30 dias para formalizar os contratos e registrar as informações nos sistemas da Caixa, que então efetua o repasse.
Lançado em maio, o Desenrola 2.0 é voltado a brasileiros com renda de até cinco salários-mínimos (R$ 8.105). O programa abrange dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC) contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atrasos entre 90 dias e dois anos. As condições incluem juros máximos de 1,99% ao mês e descontos no valor principal entre 30% e 90%, variando conforme o prazo e a linha de crédito, com suporte de uma calculadora de descontos.
Para mitigar riscos de inadimplência, a União transferiu R$ 5,7 bilhões até o fim de maio para um fundo de garantias destinado às instituições financeiras, operação que é alvo de investigação do Tribunal de Contas da União (TCU).
Balanços de início de junho indicam que R$ 20 bilhões foram renegociados por meio de 1,4 milhão de operações. Com um desconto médio de 85% sobre o valor original, o montante total das dívidas foi reduzido de R$ 20 bilhões para R$ 2,7 bilhões.