União Europeia sinaliza a normalização das exportações brasileiras de frango e mel
A União Europeia sinalizou a normalização das exportações brasileiras de frango e mel, suspensas desde setembro por questões de uso de antimicrobianos. A decisão final ocorrerá em reunião nos dias 20 e 21 de outubro

As exportações brasileiras de frango e mel para a União Europeia podem ser normalizadas em breve. A sinalização foi feita nesta quarta-feira (30) por Maroš Šefčovič, comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, em reunião com os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), durante o encontro de ministros de Comércio do G20, em Milwaukee, nos Estados Unidos.
Os produtos estão com as vendas suspensas desde 3 de setembro, data em que o bloco retirou o Brasil da lista de conformidade quanto ao uso de antimicrobianos na pecuária. A legislação europeia permite tais substâncias para tratar infecções, mas proíbe a aplicação para acelerar o crescimento animal ou aumentar a produtividade.
Critérios técnicos para a retomada
A definição final sobre a liberação das vendas ocorrerá nos dias 20 e 21 de outubro, em reunião do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia. O Ministério da Agricultura solicitou a inclusão do relatório de auditoria na pauta do encontro.
Nesta semana, a Comissão Europeia validou o sistema de produção brasileiro para as cadeias de aves e mel, atestando que o país possui condições de atender às normas europeias. A fiscalização focou nos mecanismos de controle que impedem o uso de antimicrobianos como estimulantes de crescimento.
Restrições à carne bovina
O governo brasileiro busca a aplicação do mesmo rito de agilização utilizado para o frango e o mel no caso da carne bovina, item de alta relevância nas exportações de proteína animal para o mercado europeu.
No entanto, a reversão da suspensão para a proteína bovina é mais complexa devido a exigências de rastreabilidade. O controle sanitário exige o monitoramento de todo o ciclo de vida do animal, do nascimento ao abate, processo que pode demandar até dois anos para ser comprovado.
Outros setores afetados
Além das proteínas, a suspensão iniciada em setembro impactou a exportação de ovos, pescados, carne suína e outros itens de origem animal.
No encontro em Milwaukee, também foram discutidas as barreiras impostas pela União Europeia às importações de aço. O bloco realiza a revisão da distribuição de cotas para produtos siderúrgicos, movimento que pode beneficiar o Brasil, embora o cronograma de etapas adicionais se estenda até 2027.