World expande operações para o setor bancário com ferramenta de verificação de identidade humana
A World, ecossistema da criptomoeda Worldcoin, expandiu suas operações para o setor bancário com o World ID. A ferramenta utiliza verificação biométrica, validação por selfies e autenticação documental para combater fraudes digitais

A World, ecossistema responsável pela criptomoeda Worldcoin (WLD) e fundado por Sam Altman, anunciou a expansão de suas operações para o setor bancário e instituições financeiras. A iniciativa introduz o World ID, uma ferramenta de verificação de identidade projetada para assegurar que transações, negociações e solicitações de clientes sejam realizadas por seres humanos, combatendo a atuação de robôs e fraudes digitais.
O sistema de comprovação do World ID opera em três níveis distintos:
- Verificação biométrica: Confirma a unicidade e a humanidade do usuário por meio do escaneamento da íris no dispositivo Orb.
- Validação instantânea: Utiliza selfies para atestar a presença do indivíduo no momento da operação.
- Autenticação documental: Valida dados de nacionalidade e idade via documentos oficiais, restringindo a exposição a apenas as informações estritamente necessárias.
Impacto da Inteligência Artificial nas Fraudes Financeiras
A movimentação da World ocorre em um cenário de crescimento de agentes de inteligência artificial capazes de mimetizar comportamentos humanos em transações e mensagens. A vulnerabilidade do sistema financeiro ficou evidente no início de 2024, quando um colaborador da empresa de engenharia Arup efetuou uma transferência de US$ 25,6 milhões após ser enganado por deepfakes de voz e imagem em uma videoconferência.
A projeção de perdas financeiras nos Estados Unidos reflete a gravidade do problema. Estimativas da Deloitte indicam que as fraudes viabilizadas por IA podem saltar de US$ 12,3 bilhões, registrados em 2023, para US$ 40 bilhões até 2027.
Impasses Regulatórios e Privacidade
A expansão para o setor bancário acontece enquanto a World enfrenta questionamentos globais sobre a privacidade de dados. O projeto, que distribui tokens WLD em troca de biometria, teve a oferta de compensações financeiras suspensa no Brasil em janeiro de 2025 por determinação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Além da esfera administrativa, a coleta de dados biométricos tornou-se objeto de investigações no Legislativo e na Justiça paulista.
Restrições semelhantes foram aplicadas em outras jurisdições. Autoridades de Hong Kong, Portugal, Espanha e Reino Unido também instauraram investigações ou determinaram a interrupção da coleta de dados da iniciativa.