Alunos do ensino médio esperam aprimoramento do processo de ensino para as gestões de 2027
Estudantes do ensino médio no Brasil priorizam a melhoria do ensino-aprendizagem para as gestões de 2027, destacando a performance docente e o ensino técnico. Pesquisa com 5.296 alunos indica que 66% relatam falta de professores no ensino médio e 71% utilizam inteligência artificial nos estudos. O tempo integral é avaliado positivamente por 74% dos estudantes

Estudantes do ensino médio no Brasil depositam no aprimoramento do processo de ensino-aprendizagem a principal expectativa para as gestões governamentais que assumirão em 2027. Para ao menos 25% desse grupo, a qualidade da educação está vinculada diretamente à performance docente, demandando a implementação de dinâmicas de sala de aula, aulas diversificadas, maior capacitação dos educadores e a redução da ausência de professores.
O levantamento, que consultou 5.296 alunos do ensino fundamental 2 e do ensino médio em todas as regiões do país, revela que a percepção sobre a didática dos professores impacta a avaliação geral da instituição. Quando os alunos consideram que os conteúdos são bem explicados, 75% classificam a escola como boa ou ótima; esse índice recua para 48% entre aqueles que discordam da qualidade da explicação.
Desafios da docência e infraestrutura pedagógica
A motivação dos professores apresenta declínio conforme o nível de escolaridade avança: enquanto 78% dos alunos do ensino fundamental 2 percebem os docentes como motivados, no ensino médio esse número cai para 69%. A carência de profissionais também é mais acentuada no ensino médio, onde 66% dos estudantes relatam a existência de disciplinas que permanecem sem professor por períodos determinados, contra 61% no fundamental 2.
Educação profissional e tecnologia
Há uma demanda expressiva por ensino técnico, com mais de 90% dos jovens considerando fundamental a oportunidade de cursar a formação profissionalizante durante a escola. No entanto, o Censo Escolar 2025 aponta que apenas 20% dos alunos do ensino médio estão efetivamente matriculados em modalidades de educação profissional e tecnológica.
Quanto ao uso de ferramentas digitais, 70% dos estudantes afirmam que a tecnologia é utilizada em aula ao menos semanalmente. A inteligência artificial já faz parte da rotina de estudos de 71% dos entrevistados, embora quase um terço dos alunos avalie que os professores não possuem a preparação necessária para integrar a tecnologia ao ensino.
Impactos do tempo integral
A modalidade de tempo integral reflete positivamente na percepção dos alunos, com 74% avaliando a escola como boa ou ótima, superando os 68% registrados no ensino regular. Os principais benefícios citados são:
- Ampliação do tempo de estudo para o Enem e vestibulares;
- Acesso a atividades culturais, artísticas e esportivas;
- Melhor preparação para o futuro e maior tempo de aprendizagem.
Em contrapartida, entre os alunos do ensino médio que não estudam em tempo integral, 20% declaram que trabalham ou realizam atividades remuneradas.
Prioridades para políticas públicas
A análise dos dados indica que a prioridade absoluta das políticas públicas deve ser a aprendizagem, utilizando a transição de mandatos como oportunidade para revisar estratégias e acelerar a qualidade educacional. A consciência dos jovens sobre a importância da formação técnica, da tecnologia e do tempo integral serve como diretriz para a construção de respostas governamentais mais alinhadas à realidade escolar, visando garantir equidade e perspectivas concretas para a trajetória dos estudantes.