Educação

Aplicativos de vídeo são a principal ferramenta de pesquisa para trabalhos escolares de estudantes brasileiros

14 de Agosto de 2026 às 18:00

Daniela Costa, consultora da Unesco, defendeu no Rio de Janeiro que a inteligência artificial e tecnologias escolares foquem no pensamento crítico. Dados do Cetic.br mostram que 89% dos alunos do ensino médio usam aplicativos de vídeo para pesquisas, enquanto a formação docente em tecnologias caiu para 54% em 2024

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Aplicativos de vídeo são a principal ferramenta de pesquisa para trabalhos escolares de estudantes brasileiros
© ROVENA ROSA/AGÊNCIA BRASIL

A integração de tecnologias digitais e da inteligência artificial no ambiente escolar deve ser pautada pelo desenvolvimento do pensamento crítico, superando a mera entrega de dispositivos a alunos e docentes. A análise foi apresentada por Daniela Costa, consultora da Unesco para o Brasil e coordenadora da pesquisa TIC Educação do Cetic.br, durante o 4º Encontro de Educadores do Século XXI, promovido pela Firjan no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (14).

Para a educadora, é fundamental estabelecer objetivos claros, identificar riscos e oportunidades e orientar os estudantes para um uso consciente das ferramentas tecnológicas, evitando que a tecnologia seja implementada sem um propósito pedagógico definido.

Impactos na aprendizagem e restrições ao uso de celulares

A relação entre a tecnologia e o desempenho escolar apresenta contrastes significativos. Como exemplo positivo, Costa citou a China, onde a distribuição de aulas gravadas de alta qualidade para 100 milhões de alunos de zonas rurais elevou os resultados educacionais em 32% e reduziu a disparidade salarial entre as populações urbana e rural em 38%.

Em contrapartida, a proximidade de aparelhos celulares foi identificada como um fator de distração que prejudica a aprendizagem em 14 países. No Brasil, essa preocupação reflete-se na Lei Federal 15.100, de janeiro de 2025, que veta o uso de celulares em salas de aula, recreios e intervalos.

Dados do Cetic.br indicam que, no início de 2026, 51% das escolas brasileiras proibiam a entrada de celulares no estabelecimento. Essa rigidez diminui conforme o nível de ensino avança: no ensino médio, a proibição de levar o aparelho para a escola cai para 31%, sendo a recomendação que os dispositivos permaneçam guardados em bolsos ou locais específicos da instituição.

Hábitos de pesquisa dos estudantes

O comportamento de busca por informações entre alunos do ensino médio demonstra uma migração da linguagem verbal para a visual. De acordo com o levantamento, os aplicativos de vídeo, como TikTok e YouTube, são a principal ferramenta de pesquisa para trabalhos escolares, utilizados por 89% dos estudantes.

A hierarquia de recursos digitais utilizados para estudo segue a seguinte ordem:

  • Sites de buscas (como o Google): 88%
  • Blogs e Wikipédia: 72%
  • Plataformas de IA: 70%
  • Livros digitais: 65%

Apesar da alta adesão às ferramentas de IA, apenas um terço dos estudantes brasileiros afirma ter recebido orientações sobre a possibilidade de erros cometidos por essas tecnologias.

Formação docente e suporte institucional

O papel do professor como referência tecnológica tem crescido: o percentual de alunos que buscam orientação com os docentes sobre o uso de tecnologias digitais subiu de 44%, em 2022, para 56%, em 2024.

Entretanto, há um declínio na capacitação dos profissionais. Enquanto 65% dos professores haviam passado por formação continuada em tecnologias digitais para ensino e aprendizagem em 2021, esse índice caiu para 54% em 2024. A consultora da Unesco criticou a redução do foco nessa formação após o período da pandemia e defendeu um compromisso maior da sociedade com a valorização e a preparação dos educadores, elementos indispensáveis para o desenvolvimento integral dos estudantes.

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