Educação

Ideb 2025 atinge o maior valor de sua série histórica em todas as etapas avaliadas

06 de Agosto de 2026 às 06:02

O Ideb 2025 atingiu o maior valor histórico em todas as etapas, com destaque para os anos iniciais do ensino fundamental, que chegaram a 6,3. O MEC registrou alta em todos os estados e no Distrito Federal, sendo o Paraná a unidade federativa com as maiores pontuações. O governo implementará assistência técnica em 442 municípios com desempenho abaixo de 5

Ideb 2025 atinge o maior valor de sua série histórica em todas as etapas avaliadas
© RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 atingiu o maior valor de sua série histórica em todas as etapas avaliadas, registrando a evolução acumulada mais expressiva desde que a medição foi iniciada, em 2005. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação (MEC), indicam avanços simultâneos no acesso, no fluxo escolar e na proficiência dos estudantes.

O indicador é calculado com base nas taxas de aprovação do Censo Escolar e no desempenho em língua portuguesa e matemática, aferidos pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Desempenho por etapa de ensino

O avanço mais significativo de todo o período de 20 anos ocorreu nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano). Nesta etapa, o índice saltou de 3,8 em 2005 para 6,3 em 2025, superando a meta estabelecida de 6,0. No comparativo imediato com 2023, o valor subiu de 6 para 6,3.

Já nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), o Ideb subiu de 5 para 5,3 entre 2023 e 2025, embora tenha ficado abaixo da meta de 5,5. O crescimento a longo prazo é evidente, partindo de 3,5 em 2005.

No ensino médio, o indicador registrou alta de 4,3 em 2023 para 4,5 em 2025, o maior patamar desde 2005, quando era de 3,4. Contudo, a etapa não atinge a meta de 5,2 desde 2013.

Análise de rede e disparidades

O crescimento também foi observado nas escolas públicas, com a seguinte evolução entre 2023 e 2025:

  • Anos iniciais: de 5,7 para 6,1;
  • Anos finais: de 4,7 para 5;
  • Ensino médio: de 4,1 para 4,3.

Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, aponta que o ritmo de crescimento foi menor nos anos finais do fundamental em comparação aos iniciais. O especialista associa esse cenário ao acúmulo de defasagens básicas e a mudanças na rotina escolar, como a transição para múltiplos professores por disciplina, o que pode fragilizar os vínculos pedagógicos. Para Proto, é necessário maior engajamento e tempo de permanência na escola para alunos de 11 a 14 anos, fase de intensas transformações cognitivas e sociais.

Recortes regionais e municipais

Todos os estados e o Distrito Federal elevaram seus índices. O Paraná liderou com 6,9, seguido pelo Ceará (6,8), Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás (todos com 6,4).

Nos anos finais do fundamental, 24 unidades da Federação cresceram. O Paraná manteve a maior nota (5,9), seguido por Ceará e Goiás (5,7), Minas Gerais (5,5) e Espírito Santo (5,4).

No ensino médio, 23 estados apresentaram alta, sendo o Distrito Federal a única unidade com queda. O Paraná registrou a maior pontuação (5,1), seguido por Piauí (5), Espírito Santo (4,9) e Goiás (4,8).

No âmbito municipal, houve uma redução drástica de cidades com baixo desempenho nos anos iniciais. Em 2005, 4.110 municípios tinham Ideb de até 4,9; em 2023, esse número caiu para 1.097 e, em 2025, para 442.

Medidas de apoio e próximos passos

Para os 442 municípios que ainda registram desempenho abaixo de 5, o MEC implementará assistência técnica individualizada. A secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt, informou que mais de 9 mil articuladores atuarão nessas localidades para realizar autodiagnósticos e identificar as causas do ritmo de crescimento inferior às metas do Plano Nacional de Educação (PNE).

O próximo ciclo do Ideb ocorrerá em 2027. O presidente do Inep, Manuel Palacios, prevê a apresentação de uma proposta para esse novo período em outubro, após a sanção do novo PNE (2026–2036). O foco da nova etapa será a equidade e a aprendizagem.

A medição de 2025 abrangeu um universo de 14,5 milhões de estudantes nos anos iniciais, 11,2 milhões nos anos finais do fundamental e 7,3 milhões no ensino médio.

Com informações de Agência Brasil

Notícias Relacionadas