Professor da USP defende a implementação de políticas públicas para assegurar a dignidade da população idosa
O pesquisador da USP Jorge Félix defende, no livro "A (difícil) decisão de envelhecer", a implementação de políticas públicas para garantir a dignidade da população idosa. A obra analisa a transição demográfica como transformação econômica e aborda temas como o endividamento na terceira idade
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O professor e pesquisador de pós-graduação em gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, Jorge Félix, apresenta em sua nova obra, "A (difícil) decisão de envelhecer", a urgência de que gestores de políticas públicas implementem medidas que assegurem a dignidade da população idosa. Doutor em ciências sociais pela PUC-SP e estudioso do envelhecimento há décadas, o autor utiliza o livro — composto por uma coletânea de artigos publicados anteriormente — para provocar a administração pública sobre a necessidade de providências concretas diante da transição demográfica.
Félix argumenta que o envelhecimento populacional deve ser compreendido como uma transformação econômica. Embora demande gastos, esse processo possibilita a geração de riquezas e a reindustrialização de nações ricas, impulsionada por uma nova configuração de consumo familiar, caracterizada pela redução do número de crianças e pelo aumento da proporção de idosos. No cenário brasileiro, o autor aponta que a interdisciplinaridade necessária para lidar com o tema ainda é negligenciada.
A obra aborda temas de complexidade crescente, como o endividamento da terceira idade e as críticas ao modelo de gestão do então ministro da Economia, Paulo Guedes, especificamente no que tange à política de saúde do governo Bolsonaro durante a pandemia.
Para o pesquisador, a superação da negação sobre a velhice é fundamental para que a sociedade trate o assunto com a devida importância e garanta os direitos das pessoas idosas. Ele contrapõe a tendência de internautas que tentam ignorar o envelhecimento ao fato de que esse é um processo coletivo com repercussões profundas.
Nesse contexto, Félix situa a mudança demográfica ao lado das alterações climáticas como as duas transformações radicais enfrentadas pela humanidade, embora ambas ainda sejam subestimadas. O autor destaca, por fim, a importância da decisão da Organização Mundial da Saúde em não reconhecer oficialmente a velhice como uma doença, evitando que o processo de envelhecer fosse tratado como um prazo de validade vencido.